EFEJeimmy Paola Sierra. Medellín

O candidato da coalizão de direita Equipe pela Colômbia, Federico "Fico" Gutiérrez, busca chegar à presidência em sua primeira aventura eleitoral nacional, um desafio que se compara a sua atividade como atleta de corridas de fundo e que hoje o tem na disputa pelo topo do pódio.

"Fico", de 47 anos, chegou treinado ao pleito. Seu gosto por correr qualquer meia maratona (21 quilômetros) que cruza seu caminho lhe permitiu testar sua resistência e, embora tenha sido convocado para bater de frente com o esquerdista Gustavo Petro, favorito nas pesquisas, é outro rival, o populista Rodolfo Hernández, que atualmente está em seu encalço.

Fã também de futebol e ciclismo, "Fico", como é popularmente conhecido, desenvolveu essa afinidade com o esporte em Medellín, onde nasceu em 28 de novembro de 1974 em uma família de classe média com pais oriundos da região do Eje Cafetero, no centro do país.

HOMEM DE RUA.

Seus primeiros quilômetros na política foram percorridos como vereador em Medellín, época em que apoiou a prefeitura de Sergio Fajardo, outro de seus rivais nestas eleições presidenciais.

No entanto, se afastou desse passado e na pista encontrou mais coincidências com o uribismo, apesar de ter administrado sua cidade entre 2016 e 2019 como independente, quando fundou o movimento Acreditamos e gastou solas de sapatos andando pelas comunas.

“Fico” deu o salto para o cenário nacional como prefeito de Medellín. O lema de sua gestão era segurança, muito ao estilo do ex-presidente Álvaro Uribe. Apelidado de "Xerife", ficou obcecado em perseguir criminosos e patrulhava à noite com o "Ficóptero", como os cidadãos se referiam em tom de brincadeira a um helicóptero policial.

Para acabar com a evasão escolar, foi aos bairros e com megafone na mão convenceu crianças e adolescentes a voltarem para as salas de aula. Gozava de amplo apoio em seu gabinete, mas acabou ofuscado por uma terrível ironia: a prisão de seu secretário de Segurança por ligações com a Oficina de Envigado, uma temida organização criminosa.

Como prefeito, apareceu vestido de bombeiro, ergueu a taça da Copa Libertadores que seu amado Atlético Nacional conquistou em 2016 e caminhou com o ciclista britânico Chris Froome na visita que o atleta fez a Medellín.

DIREITA MODERADA.

Expoente de uma direita moderna e mais moderada que o uribismo, "Fico" é um sujeito afável e amigável que, mesmo sem ser candidato, sai pelas ruas cumprimentando com confiança e cercando seu interlocutor com um marcado sotaque de Medellín, o qual não pretende mudar, assim como seu estilo casual, de jeans, cabelo bagunçado e sem gravata.

Amante do vallenato e das canções dos mestres Rafael Escalona e Alejo Durán, formou-se em Engenharia Civil na Universidade de Medellín e fez especialização em Administração e Ciência Política na Universidad Pontificia Bolivariana.

Durante o confinamento devido à pandemia, aprendeu a tocar acordeão com aulas virtuais e agora pode tirar notas musicais de sucessos do Binomio de Oro ou dos Hermanos Zuleta.

O que parece que nunca vai mudar são suas corridas atléticas ou passeios de bicicleta porque, como o próprio candidato pontua, "quer melhor psiquiatra do que o esporte?".

Na maratona para a presidência, “Fico” conseguiu somar quilômetros. Na mala não faltaram tênis, viseira e óculos para dar uma corrida enquanto viaja pelo país.

Tampouco se afastou do futebol, apesar de ter visto pouco o Nacional este ano, embora tenha dedicado tempo à seleção colombiana em Barranquilla, onde estreitou laços com empresários e o clã Char (uma das dinastias mais poderosas e polêmicas da Colômbia), que o apoia em sua campanha.

Com a bandeira de chegada cada vez mais próxima, Gutiérrez recebeu recentemente o "voto de confiança" do ciclista colombiano Egan Bernal, campeão do Tour de France 2019 e do Giro d'Italia 2021, que se juntou ao apoio dos pais de Luis Díaz, jogador do Liverpool e um dos ídolos do momento no país.

"Ordem e oportunidades" são as bases de um programa de governo que fala de segurança, combate à corrupção e redução da pobreza e da desigualdade.

Com suas propostas, “Fico” sonha em cruzar primeiro a linha de chegada de mãos dadas com a engenheira e administradora Margarita Gómez, sua esposa e mãe de seus dois filhos, Emilio e Pedro, a melhor motivadora para ajudá-lo a superar qualquer "muro", o terror de atletas em provas de fundo, assim como é a disputa pela presidência. EFE