EFEParis

O Governo da França ressaltou nesta terça-feira que não deu sinal verde ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul e sugeriu organizar "uma espécie de debate público" para que sejam examinados os prós e contras do pacto.

A secretária de Estado de Transição Ecológica, Emmanuelle Wargon, afirmou em entrevista ao canal "BFMTV" que "a posição francesa será adotada quando tivermos uma avaliação suficientemente sólida para ver as vantagens e os inconvenientes".

"A França não deu seu sim ao acordo" e o Executivo está iniciando uma comissão de avaliação sobre os riscos e contribuições do compromisso assinado em junho entre a União Europeia e o Mercosul, lembrou Wargon ao ser questionada sobre as implicações das polêmicas políticas ambientais do presidente Jair Bolsonaro.

"Depois, acredito que será importante discutir de forma muito ampla e democrática, em uma espécie de debate público, porque temos que pôr tudo isso acima da mesa. Só depois a França adotará uma posição", disse a secretária de Estado.

"Condeno com força todos aqueles que realizam políticas que conduzem ao desmatamento", disse com relação às ações de Jair Bolsonaro.

No entanto, a secretária se negou a personalizar essas críticas ao presidente brasileiro e especificou que o problema do desmatamento não se limita ao Brasil.

O presidente Emmanuel Macron deixou evidente no final de julho passado que não está "totalmente satisfeito" com o texto jurídico do acordo UE-Mercosul e que haverá uma discussão na França antes de o país dar seu sinal verde.

O governo francês já estipulou três condições para esse sinal verde: a implementação pelos países do Mercosul do Acordo de Paris sobre a mudança climática, o respeito das normas ambientais e sanitárias europeias e a proteção para os agricultores de setores sensíveis, em particular o de carne bovina.