EFEWashington

A China é "um adversário" dos Estados Unidos e não um "inimigo", mas, para que isso não mude, as Forças Armadas americanas devem "estar preparadas" e não podem perder sua "vantagem", segundo disse nesta quinta-feira no Senado o general Mark Milley, indicado como futuro chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA.

"A China não é um inimigo, e quero deixar isso claro. É um adversário (...). Em termos militares, um inimigo é aquele com o qual existe um conflito armado, com o qual você está em guerra e não estamos nessa situação", afirmou Milley durante sabatina no Senado americano.

Milley, que atualmente ocupa o cargo de chefe do Estado-Maior do Exército, ressaltou que o Pentágono não quer entrar em guerra com a China, mas defendeu que, para manter a paz, a "melhor maneira" de fazê-lo é através de uma política de dissuasão.

"Acredito que a melhor maneira de manter a paz é garantir que estamos preparados", opinou o militar.

Por outro lado, Milley chamou a atenção dos legisladores sobre os investimentos em defesa realizados pela China nos últimos anos para modernizar suas forças armadas "em todos os âmbitos": terra, mar, ar e, inclusive, no espaço.

"A China está melhorando muito suas forças armadas, e muito rapidamente (...). Temos que ter garantias de que não perderemos vantagem sobre nossos adversários, especialmente sobre a China", declarou Milley.

O general americano também fez referência à situação no Mar do Sul da China, um lugar que tem se transformado no foco de tensões entre os dois países devido à crescente presença militar chinesa na região.

Nesse sentido, o general Milley considerou que o aumento das patrulhas de navios da Marinha americana na região foi uma resposta "adequada" para a situação.

Desde o ano passado, o Pentágono vem aumentando suas operações nessas águas, uma região que conta com diversos arquipélagos e atóis e cujas partes são objeto de disputa entre muitos países, como Brunei, Filipinas, Malásia, Taiwan, Vietnã e obviamente a China, devido à presença de reservas energéticas.

Apesar da desconfiança mostrada por Milley em relação à China, o militar americano ressaltou que, ainda hoje, a Rússia continua representando a "única ameaça" existencial para os EUA.

Caso seja confirmado na sabatina no Senado, Milley se transformará no chefe do Estado-Maior Conjunto em setembro, quando o comandante atual, o general Joseph Dunford, deixará o cargo.