Washington, 3 mai (EFE) - O governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, começará a reunir nesta semana as famílias de migrantes separadas durante a administração anterior e juntará amanhã quatro delas que foram distanciadas em 2017 e 2018, disse nesta segunda-feira o secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas.

Em uma entrevista à emissora de televisão "CBS", Mayorkas explicou que nestas quatro famílias há uma criança separada dos pais quando tinha apenas três anos de idade. Além disso, mencionou uma mãe mexicana e outra hondurenha, mas não ofereceu mais detalhes.

"Isto é apenas o começo", destacou Mayorkas em um comunicado divulgado mais tarde pela Casa Branca. "Reuniremos este primeiro grupo de famílias e muitas mais em seguida. Reconhecemos a importância de dar a estas famílias a estabilidade e os recursos que necessitam para se recuperar", acrescentou.

O governo Biden estima que mais de 1.000 famílias foram separadas como parte de um programa da administração de Donald Trump para conter a migração ilegal e por meio do qual mais de 5.000 crianças foram distribuídas em diferentes locais do país, enquanto muitas das suas famílias foram deportadas.

Na entrevista à "CBS", Mayorkas explicou que a força-tarefa criada por Biden para lidar com esta questão trabalhou ao lado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), ONG que representa as famílias separadas, e outros grupos para "reunificar famílias e reparar os danos".

"Há centenas de famílias restantes e vamos reuni-las todas", acrescentou Mayorkas. "Nossa equipe está concentrada em encontrar cada família e em dar-lhes a oportunidade de se reunirem", completou.

Por sua vez, Lee Gelernt, vice-diretor da ACLU, disse que sua organização está muito satisfeita com a notícia da reunião de quatro famílias, mas ressaltou que "não sentimos que este seja um momento de celebração".

"Estamos trabalhando nisso há quatro anos e sabemos o quanto mais é preciso fazer", declarou Gelernt à emissora de rádio "NPR". "Esperamos que a administração Biden também reconheça esse fato", acrescentou.

Em 2018, um tribunal federal ordenou ao governo Trump que reunisse milhares de famílias migrantes, mas a decisão pouco ajudou os muitos pais que já tinham sido deportados antes do início da contestação judicial.

Biden assinou no último mês de fevereiro uma ordem executiva para criar a força-tarefa dedicada à reunificação de famílias separadas durante a administração Trump.

Essa força-tarefa está prestes concluir várias reuniões familiares nos próximos meses e prevê prestar contas do que foi alcançado nos primeiros dias de junho, segundo disse a Casa Branca no comunicado.