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O governo da Venezuela acusou nesta sexta-feira a oposição e "patrocinadores estrangeiros" de sabotagem aos compromissos estabelecidos em documento assinado, em 13 de agosto, para iniciar o processo de diálogo político no país.

"O governo da Venezuela rejeita categoricamente a tentativa dos atores de oposição presentes na mesa de diálogo e negociação e seus patrocinadores estrangeiros de sabotar, condicionar e fugir dos compromissos estabelecidos no memorando de entendimento", indicou comunicado divulgado pelo chefe da missão do regime presidido por Nicolás Maduro, Jorge Rodríguez.

De acordo com a nota, está acontecendo uma tentativa de "se afastar das questões relacionadas ao resgate do patrimônio, recursos e bens pertencentes à Venezuela", que estão incluídos no memorando firmado como parte do início do entendimento.

A manifestação do governo afirma haver um sentimento de "surpresa e vergonha", pelo conjunto de "graves fatos e declarações públicas perigosas", que estariam evidenciando "a natureza criminosa da operação de saque e roubo do patrimônio nacional".

De acordo com o comunicado, isso teria acontecido durante o autoproclamado governo interino da Venezuela, liderado por Juan Guaidó.

Especificamente, foi denunciada a decisão do governo da Colômbia, de se apropriar e assumir o controle da empresa Monómeros Colombo Venezolanos, estatal venezuelana que atua no país vizinho.

O regime de Maduro também se referiu a carta divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que afirma a possibilidade de autorização da venda de ações da Citgo Petroleum, filial da estatal PDVSA, a partir de janeiro do próximo ano.

O governo da Venezuela afirma ter enviado um "alerta" aos países que acompanham o diálogo, como Rússia e Holanda, assim como a Noruega, que atua como mediadora, pela tentativa de "deslegitimar acordos alcançados" e interromper o diálogo.

O regime de Maduro e a oposição iniciaram negociação no dia 13 de agosto, em encontros que estão acontecendo no México. A próxima rodada de negociações, a terceira até aqui, está prevista para acontecer entre os dias 24 e 27 deste mês.