EFEPorto Príncipe

O governo haitiano se declarou "profundamente indignado e perturbado" nesta sexta-feira devido às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas quais, segundo a imprensa, chamou Haiti, El Salvador e vários países africanos de "buracos de merda".

O governo do Haiti disse que condena "nos termos mais enérgicos" as declarações atribuídas a Trump, que, se forem comprovadas, "seriam, em todos os aspectos, inaceitáveis, já que refletiriam uma visão simplista e racista totalmente equivocada da comunidade haitiana e da sua contribuição aos Estados Unidos".

Através de um comunicado, o governo haitiano acrescentou que as declarações "seriam incompatíveis com os múltiplos vínculos entrelaçados pela longa história de amizade que une os dois povos das duas repúblicas mais antigas do hemisfério".

"A relação entre os dois países se fortaleceu pelo fato de que milhões de filhos e filhas do Haiti contribuíram, contribuem e continuarão contribuindo para a prosperidade e a grandeza dos EUA", salientou o comunicado.

Do mesmo modo, destacou "a solidariedade espontânea do povo americano com o povo haitiano nos seus momentos difíceis".

"O governo haitiano faz um chamado pelo respeito à dignidade dos povos (...)", concluiu o comunicado.

Segundo uma reportagem de ontem do jornal "The Washington Post", Trump chamou El Salvador, Haiti e vários países africanos de "buracos de merda" durante uma reunião com os senadores.

Trump assegurou hoje no Twitter ter utilizado "uma linguagem dura" na sua conversa com senadores sobre a lei migratória, mas negou ter se referido a El Salvador, Haiti e países africanos como "buracos de merda".