EFECopenhague

O governo minoritário do social-democrata Stefan Löfven perdeu nesta segunda-feira a votação de uma moção de censura no parlamento da Suécia, com 181 deputados votando a favor, seis a mais que a metade do total de assentos da Câmara, o mínimo exigido.

Em uma coletiva de imprensa realizada após a votação, Löfven anunciou que usará o período de uma semana para decidir se apresentará a renúncia de seu governo minoritário ou se convocará eleições antecipadas.

"O governo agora tem uma semana. Vamos conversar com nossos aliados e refletir sobre o caminho a seguir", disse Löfven, reconhecendo uma situação política "muito difícil", assim como após as eleições gerais de 2018, quando levou quatro meses para formar um governo, um recorde negativo na Suécia.

Löfven também falou de uma "maioria acidental" entre os quatro partidos que votaram a favor da moção apenas para derrubar o Executivo, mas que não têm nenhum projeto governamental conjunto.

Além disso, criticou o Partido de Esquerda por não querer negociar uma oferta de última hora, embora tenha ressaltado que esta força política continue a preferi-lo como primeiro-ministro.

A moção, a primeira a ser perdida por um chefe de governo sueco na história, foi apoiada pelas três forças de oposição de direita - conservadores, extrema direita e democratas-cristãos - e pelo Partido de Esquerda, um aliado eventual de Löfven, mas que exigia a retirada de um projeto de reforma da lei do aluguel para manter o apoio ao Executivo.

Há seis dias, o Partido de Esquerda havia dado ao governo um ultimato de 48 horas para retirar ou mudar o projeto que desregula os aluguéis de novos imóveis, uma das "linhas vermelhas" fixadas pela legenda quando Löfven fechou um pacto com a centro-direita em janeiro de 2019.

O partido Democratas da Suécia (SD) está na origem da difícil situação política no país: o vácuo criado pelas demais forças, embora conservadores e democratas-cristãos tenham modificado sua posição nos últimos meses, fez com que o partido não conseguisse governar, apesar de ter vencido as eleições gerais em 2018.

Centristas e liberais, que então se recusaram a negociar com o SD, optaram por assinar um pacto com os social-democratas e ambientalistas que levou quatro meses para ser fechado.

O Partido de Esquerda, por sua parte, concordou em se abster para que Löfven fosse eleito, embora tenha anunciado que deixaria de apoiá-lo se ele reformulasse o modelo de contratação ou aluguel, pontos incluídos no pacto.

Löfven e a líder centrista, Annie Lööf, ofereceram ontem que as partes do setor imobiliário pudessem negociar por conta própria até 1º de setembro: se chegassem a um acordo, o projeto de reforma seria retirado; se não, seguiria em frente.

Porém, tanto o Partido de Esquerda como a Associação Nacional dos Inquilinos rejeitaram a proposta, considerando que se tratava de negociação sob ameaça e exigiam a retirada da ponta do acordo, o que o governo e seus aliados rejeitaram.

O projeto, exigido por centristas e liberais, faz com que o aluguel de novos imóveis não seja mais regulamentado e possa ser pactuado entre o proprietário e o locador de acordo com o valor de mercado.

Enquanto os social-democratas garantem que se trata de uma pequena reforma que afeta uma porcentagem limitada da população, o Partido de Esquerda e os representantes dos inquilinos a consideram um primeiro passo para a liberalização total dos preços de aluguel.