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O líder do parlamento da Venezuela, Juan Guaidó, denunciou nesta terça-feira a militarização parcial da sede do Assembleia Nacional, depois que membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) impediram por várias horas a entrada dos jornalistas para a cobertura da sessão ordinária de hoje.

"O Palácio Federal Legislativo segue militarizado hoje", disse Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela em janeiro e foi reconhecido por mais de 50 países, após a entrada dos jornalistas na sede da Câmara dos deputados após horas de espera diante do bloqueio da GNB.

Nesta terça-feira, o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) alertou através do Twitter que, depois que na semana anterior "foi possível entrar após cinco semanas de censura", hoje aconteceu "um passo para trás nas garantias para os jornalistas" com o bloqueio da GNB.

Por sua vez, o Colégio Nacional de Jornalistas denunciou que, "novamente violentando direitos estabelecidos" na Constituição Nacional, a Guarda Nacional "viola também o tratado internacional de Direitos Humanos e de Liberdade de Expressão ao não permitir entrada dos veículos de imprensa à @AsambleaVE".

Depois do fracassado levante militar de 30 de abril, que foi liderado por Guaidó, a GNB reforçou a vigilância do Palácio Federal Legislativo e limitou o acesso dos meios de comunicação.

No entanto, no dia 4 de junho, os jornalistas, junto a vários deputados, romperam o sítio da GNB e ingressaram à força na sede do parlamento.

As limitações de entrada afetaram inclusive os deputados opositores, que são maioria no Poder Legislativo, que em uma ocasião não puderam entrar na sede por um suposto alerta de bomba dentro do edifício, situação que não foi esclarecida até o momento.

Em diversas ocasiões, o SNTP alertou sobre as vulnerações da liberdade de expressão na Venezuela ao denunciar agressões contra jornalistas e após o fechamento de meios de comunicação.

Segundo o sindicato, a liberdade de imprensa na Venezuela foi alvo de pelo menos 2.020 ataques entre janeiro de 2013 e dezembro de 2018. EFE

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