EFEBogotá

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, viajou neste domingo a Bogotá para se reunir com o presidente da Colômbia, Iván Duque, e participar amanhã da III Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo.

No fim da tarde, Guaidó foi recebido por Duque na entrada da Casa de Nariño e entrou no local pelo Pátio de Armas, acesso usado por chefes de Estado estrangeiros que visitam a Colômbia. Depois da recepção, os dois fazem uma reunião a portas fechadas.

Esta é a segunda vez que Guaidó desafia a proibição de sair do país imposta pelo regime de Nicolás Maduro e visita a Colômbia.

Em fevereiro do ano passado, o líder da oposição foi até Cúcuta, no departamento de Norte de Santander, na fronteira com a Venezuela, para liderar uma tentativa fracassada de entrar no país com uma caravana de ajuda humanitária.

Nem Guaidó nem o governo da Colômbia deram detalhes de como ele chegou ao país.

"Já na Colômbia. Agradeço ao presidente Iván Duque por seu apoio à luta do povo venezuelano", afirmou Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por quase 50 países, entre eles a própria Colômbia e o Brasil.

O líder da oposição disse que a visita servirá para "gerar as condições" que levarão a Venezuela à liberdade e prometeu que voltará ao país com "boas notícias.

CÚPULA CONTRA O TERRORISMO

A expectativa é que Guaidó se reúna amanhã com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, que chegará amanhã para participar da conferência. O encontro com o líder opositor venezuelano parece ser o principal item da agenda do chefe da diplomacia americana.

A cúpula será realizada em uma escola de cadetes da Polícia Nacional da Colômbia. Há um ano, o local foi palco de um ataque do Exército de Libertação Nacional (ELN), que, com um carro-bomba, matou 22 estudantes.

Guaidó e o governo da Colômbia não revelaram o que irá ocorrer depois da cúpula. Há 11 meses, depois de não conseguir entrar na Venezuela pela fronteira, o líder da oposição foi recebido com honras de chefe de Estado no Peru, onde participou de uma reunião do Grupo de Lima.

Depois, Guaidó visitou vários países da região e voltou para a Venezuela. Aliados do opositor disseram que havia a hipótese dele ser preso por desafiar o regime de Maduro e não obedecer a ordem que deveria impedi-lo de sair do país.

CRÍTICA DAS FARC

A visita de Guaidó à Colômbia foi criticada por Sergio Marín, um dos integrantes do partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) na Câmara dos Representantes da Colômbia.

"Desta vez Guaidó veio por seus próprios meios ou os Los Rastrojos o ajudaram outra vez?", questionou o político no Twitter.

Marín ironizava fotos publicadas em setembro do ano passado pelo presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela (ANC), Diosdado Cabello.

Nas imagens é possível ver Guaidó junto a dois homens identificados como membros do grupo paramilitar Los Rastrojos. O chavismo diz que eles ajudaram o opositor a cruzar a fronteira.

Guaidó nega a acusação e diz que tirou fotos com centenas de pessoas depois de cruzar a fronteira.