EFEBogotá

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a Colômbia tem a "obrigação moral" de levar adiante o acordo de paz firmado com as Farc, cuja assinatura completa cinco anos nesta quarta-feira e o qual definiu como uma "inspiração" para a comunidade internacional.

"Após mais de cinco décadas de conflito e conscientes do sofrimento causado, temos a obrigação moral de assegurar o êxito deste processo de paz", disse Guterres no seu discurso na comemoração de cinco anos de paz na Colômbia.

Segundo o chefe da ONU, "para um mundo de divisões geopolíticas, guerras intermináveis e conflitos multiplicadores, a Colômbia envia uma mensagem clara: é tempo de investir na paz".

Guterres acrescentou que a assinatura do acordo, cujos protagonistas, o ex-presidente Juan Manuel Santos e o último líder das Farc, Rodrigo Londoño, também falaram no evento de hoje, "gerou esperança e inspiração na Colômbia e em toda a comunidade internacional".

"Em um mundo marcado por conflitos, muitos deles sem fim à vista, um acordo de paz negociado para dar fim a um conflito que muitos acreditavam não ter solução é único e extremamente valioso", comentou.

RISCOS AO LONGO DO CAMINHO.

Reconhecendo as "realizações inegáveis" do acordo de paz, Guterres alertou para os riscos enfrentados especialmente pelas "comunidades étnicas, mulheres e meninas", que "são sempre especialmente afetadas".

Entre estes riscos, mencionou "a violência por grupos armados relacionada com o tráfico de drogas, ameaças e assassinatos de ex-combatentes, líderes sociais e defensores dos direitos humanos" em que as vítimas "são frequentemente mulheres e populações indígenas".

Também citou entre estas ameaças "deslocamento e confinamento, violência contra as mulheres, violência sexual e o recrutamento de crianças".

"Tudo isso contraria a paz e cada morte é uma tragédia, cada morte envia uma mensagem devastadora às comunidades que ainda aguardam as promessas do acordo", acrescentou.

Guterres frisou também que transformações como as necessárias na Colômbia levam tempo e recordou que a implementação do acordo de paz foi concebida para um horizonte de 15 anos, restando dez pela frente.

"Há muitas questões em que se pode e deve discordar em uma democracia, mas a paz não pode ser uma delas", argumentou, ressaltando a sua confiança no empenho da Colômbia neste processo, para o qual reafirmou "o pleno apoio das Nações Unidas". EFE