EFEHong Kong

Centenas de manifestantes marcharam nesta quarta-feira, vestidos de preto e em silêncio, em direção a 19 consulados estrangeiros em Hong Kong para entregar cartas onde pedem que pressionem ao presidente da China, Xi Jinping, sobre a situação na ex-colônia britânica na próxima cúpula do G20, que acontecerá no Japão.

"Encorajamos os países a pressionar a China no G20 para que coloquem suas preocupações sobre Hong Kong, defendam o alto grau de autonomia e o ambiente de livre-comércio e protejam os direitos de seus cidadãos para fazer negócios", reivindicaram.

O plano de protesto veio depois que o vice-ministro das Relações Exteriores da China, Zhang Jun, disse na última segunda-feira que seu país "não permitirá" que a questão dos protestos em Hong Kong seja abordada dentro da cúpula, já que trata-se de uma "questão interna" do gigante asiático na qual "nenhum país ou indivíduo estrangeiro" deveria intervir.

"Isso mostra que a China quer evitar os problemas de Hong Kong, e é por isso que os moradores devem fazer um apelo sério aos países estrangeiros para que levantem a questão que Xi Jinping quer evitar, forçando Xi a rever a atual política de Hong Kong", disseram os manifestantes.

Como parte da estratégia, os ativistas de Hong Kong arrecadaram mais de 5 milhões de dólares de Hong Kong (cerca de US$ 640 mil) em uma campanha de financiamento coletivo para inserir anúncios em 13 jornais internacionais de nove países, em uma tentativa de conseguir que o polêmico projeto de lei de extradição figure na ordem do dia da cúpula G20 em Osaka (Japão) desta semana.

A captação de recursos alcançou sua meta original de 3 milhões de dólares de Hong Kong (US$ 384 mil) em dez horas, dos quais mais de 20 mil doadores fizeram contribuições.

O anúncio consiste em uma carta aberta pedindo a cidadãos estrangeiros que pressionem seus governos antes da cúpula, que terá a participação de Xi e do diretor financeiro de Hong Kong, Paul Chan.

Depois de visitar os 19 consulados (representantes dos países que participam da cúpula), os manifestantes manterão uma segunda reunião, uma manifestação organizada pela Frente Civil de Direitos Humanos, às 20h (hora local). Um dos coordenadores, Jimmy Sham, disse que o tema será "Libertem Hong Kong, agora democracia".

Os organizadores convidarão diferentes profissionais para anunciar uma declaração conjunta em vários idiomas e discutirão a relação entre Hong Kong e a comunidade internacional.