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Irmã do rei Felipe VI da Espanha, a infanta Cristina de Bourbon e seu marido, o ex-jogador de handebol Iñaki Urdangarin, decidiram terminar o casamento de 24 anos depois da divulgação de fotos dele andando de mãos dadas com uma colega de trabalho.

De acordo com um comunicado assinado por ambos e enviado à Agência Efe nesta segunda-feira, a separação é "de comum acordo". Eles também ressaltaram que o compromisso com seus quatro filhos "permanece intacto" pediram "o máximo respeito por todos aqueles que nos cercam".

Os últimos anos da união foram marcados pelo escândalo que envolveu um processo contra os dois em um caso de corrupção no qual, em 2017, ela foi absolvida. Ele, por outro lado, acabou condenado a cinco anos e dez meses de prisão.

DE CASAL DA MODA AOS TRIBUNAIS.

Casados em 4 de outubro de 1997 em Barcelona, Cristina de Bourbon e Iñaki Urdangarin se tornaram um casal da moda na Espanha e entre os círculos da alta sociedade europeia.

Ele, um atleta de elite - foi da seleção espanhola de handebol medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de 1996 e 2000 - e ela, filha do então rei Juan Carlos I e executiva do banco La Caixa, foram capa de revistas, primeiro como casal, e depois ao lado dos filhos.

Mas essa imagem foi manchada em 2013, quando eles foram acusados de corrupção. As fotos na imprensa passaram então a ser de entradas e saídas de tribunais, e o escândalo chegou a tal ponto que Felipe VI retirou o título de duquesa de Palma da irmã, concedido a ela por Juan Carlos por ocasião de seu casamento, e a retirou de qualquer ato oficial da Casa Real.

Após um longo processo judicial, a irmã de Felipe VI foi absolvida em fevereiro de 2017, mas seu marido foi condenado a cinco anos e dez meses de prisão pelo desvio de mais de 6 milhões de euros em dinheiro público entre 2003 e 2006 para o Instituto Nóos, uma fundação sem fins lucrativos que ele presidiu.

Urdangarin foi preso em junho de 2018, e não foram publicadas fotos das visitas da infanta à penitenciária onde ele ficou.

FOTOS DA SEPARAÇÃO.

O gatilho para o anúncio da separação, que já havia sido alvo de rumores há algum tempo, foi a divulgação de fotos, na quarta-feira passada, que mostravam Urdangarin - agora cumprindo regime aberto - andando de mãos dadas com outra mulher, sócia de um escritório de advocacia na cidade de Vitória, no norte do país, no qual ambos trabalham.

As imagens, publicadas pela revista espanhola "Lecturas", foram tiradas em 11 de janeiro em uma praia perto de Bidart, na França, onde a família de Urdangarin tem uma residência de verão.

No dia seguinte à publicação, Urdangarin, de 54 anos, confirmou a crise conjugal à imprensa.

"As coisas acontecem, e vamos administrá-las da melhor maneira possível (...) e juntos, como sempre fizemos", contou.

Hoje, depois de ouvir a notícia, a Casa Real disse que não lhe cabia "fazer nenhum pronunciamento".

O casal foi visto pela última vez junto no final do ano passado, em uma estação de esqui espanhola, ao lado dos filhos: Juan (22), Pablo (21), Miguel (19), e Irene (16).

ELA MORA NA SUÍÇA, E ELE NA ESPANHA.

A infanta Cristina, de 56 anos, que trabalha para a Fundação La Caixa e vive em Genebra (Suíça) desde 2013, não fez nenhuma aparição pública desde que as fotos de Urdangarin com a outra mulher vieram à tona.

Urdangarin começou a trabalhar como consultor em um escritório de advocacia em Vitória, sua cidade natal, em março de 2021, depois de ser transferido para a penitenciária local.

Desde junho do ano passado, ele não tem mais que passar a noite na prisão, depois de ser dispensado por bom comportamento e cumprimento de suas obrigações. EFE