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A Organização de Aviação Civil do Irã anunciou neste sábado que vai enviar a Kiev as caixas-pretas do avião da Ukraine International Airlines derrubado por erro com 176 pessoas abordo.

O diretor-geral da Direção de Investigação de Acidentes da Organização de Aviação Civil do Irã, Hassan Rezaifar, explicou que o governo da Ucrânia pediu que as caixas-pretas não fossem lidas no Irã, uma solicitação que será atendida pelo país.

O processo em Kiev será acompanhado por especialistas de França, Canadá e Estados Unidos. Caso não seja possível acessar e analisar o conteúdo das caixas-pretas na Ucrânia, elas então serão levadas para laboratórios franceses.

Na última quarta-feira, a Procuradoria-Geral e o Serviço de Segurança da Ucrânia pediram ao Irã a entrega das caixas-pretas para garantir que a decodificação dos equipamentos seja adequada e "preserve as provas".

Já o governo do Canadá, além de exigir que as caixas-pretas fossem enviadas ao país ou à França, quer que o Irã indenize as famílias das 176 vítimas da tragédia.

O Irã negou inicialmente a possibilidade de o avião ter sido derrubado por míssil lançado pelo próprio país, mas voltou atrás há uma semana, quando as Forças Armadas reconheceram que, por engano e sem intenção, derrubaram a aeronave por confundi-la com um míssil de cruzeiro.

A catástrofe coincidiu com o aumento das tensões entre os EUA e o Irã após o assassinato do general Qasem Soleimani. O avião foi derrubado pouco depois de os iranianos lançarem mísseis contra bases militares do Iraque usadas por tropas americanas, uma resposta à ação ordenada por Donald Trump.

A derrubada do avião gerou revolta entre parte da população do Irã, que desde então vem organizando vários protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. EFE

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