EFEWashington

A juíza Ruth Bader Ginsburg, mais antiga entre os integrantes da Suprema Corte dos Estados Unidos, morreu nesta sexta-feira aos 87 anos, por complicações de um câncer no pâncreas.

Em comunicado, o tribunal disse que a magistrada, conhecida como defensora de ideais progressistas, "faleceu nesta noite e cercada pela família em sua casa" em Washington, capital do país.

Na mesma nota, o presidente da Suprema Corte dos EUA, John Roberts, nomeado pelo ex-presidente republicano George W. Bush, prestou homenagem à juíza.

"Nossa nação perdeu um jurista de estatura histórica. Todos nós na Suprema Corte perdemos uma colega querida. Lamentamos hoje, mas estamos confiantes de que as gerações futuras recordarão Ruth Bader Ginsburg como a conhecíamos, uma incansável e determinada campeã da justiça", declarou Roberts.

Com a morte de Ruth, o presidente dos EUA, Donald Trump, poderá indicar mais um nome para a Suprema Corte - já havia emplacado outros dois em seu mandato - e, assim, consolidar a maioria conservadora entre os integrantes às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para 3 de novembro.

O presidente e a juíza tiveram um relacionamento difícil depois que Ruth o chamou de falso antes das eleições de 2016, um comentário pelo qual teve que se retratar e que levou Trump a pedir a sua saída. Ao saber da morte, o chefe de governo limitou-se a dizer que seu desafeto teve uma vida incrível.

"Acabou de morrer? Não sabia disso. Ela teve uma vida incrível. O que mais posso dizer? De acordo ou não, ela teve uma vida incrível", declarou Trump.

A Suprema Corte é composta por nove juízes com mandato vitalício, atualmente cinco conservadores e quatro progressistas. O atual presidente dos EUA conseguiu, ainda em seu primeiro ano como presidente, que a maioria republicana no Senado concedesse luz verde para a sua primeira indicação, juiz Neil Gorsuch. Depois, em 6 de outubro de 2018, conseguiu que Brett Kavanaugh, acusado de abuso sexual, fosse nomeado para o tribunal.

Nomeada pelo ex-presidente Bill Clinton em 1993, após toda uma carreira dedicada a causas feministas e de direitos civis, Ruth era a mais antiga das nove integrantes da Suprema Corte e nos últimos tempos passou por vários problemas de saúde. Ela vinha combatendo o câncer há anos: em 2009, venceu um no pâncreas, que, contudo, retornou no ano passado, em 2018 teve que remover nódulos malignos do pulmão esquerdo. O marido, Martin Ginsburg, morreu justamente de câncer em 2010.