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A junta militar de Mianmar entrou com um novo processo judicial, em que acusa de corrupção a líder eleita Aung San Suu Kyi, derrubada no golpe de Estado de 1º de fevereiro deste ano, segundo informou a defesa da ré.

À Agência Efe, um dos advogados de Suu Kyi explicou que a polícia informou sobre quatro acusações de crimes de corrupção, que foram apresentadas em um tribunal da cidade de Mandalay, a segunda maior do país.

A expectativa é de que o julgamento seja iniciado em 1º de outubro e que tenha audiências realizadas a cada duas semanas, sempre às sextas-feiras.

Entre as acusações de corrupção contra Aung San Suu Kyi estão o recebimento de propina de um empresário e de abuso de poder, que são negadas pelos advogados da líder eleita, como todas as outras feitas anteriormente pela junta militar.

Suu Kyi foi detida no mesmo dia do golpe e também está sendo julgada em um tribunal especial formado na cidade de Naypyitaw, por vários crimes, entre eles, incitação ao ódio, violação de normas anti-covid-19, além da importação ilegal de 'walkie-talkies'.

A ação, que estava prevista para terminar antes do fim deste ano, teve diversos atrasos desde a última audiência celebrada, em 13 de junho, por causa da pandemia, entre outros motivos.

Suu Kyi, antiga conselheira de Estado, que tem 76 anos de idade, está presa em um lugar desconhecido, praticamente desconectada com o que acontece no país, que está envolto em caos político e social, após o golpe militar.

A alegação da derrubada da líder eleita foi a de ter ocorrida fraude em massa durante as eleições gerais realizadas em novembro do ano passado, que tiveram os resultados anulados.

No pleito, que aconteceu com o aval de observadores internacionais, o partido de Suu Kyi venceu com ampla maioria.

Depois do golpe de Estado, protestos foram registrados por vários dias em Mianmar, com atos de desobediência civil, que chegou a paralisar os serviços públicos e diversas empresas privadas no país.

A repressão das manifestações resultou na morte de 1.105 pessoas e na detenção de outras 6.573, de acordo com dados da Associação para a Assistência de Presos Políticos.