EFEWashington

A vice-presidente eleita dos Estados Unidos, Kamala Harris, renunciou ao cargo de senadora nesta segunda-feira, e o presidente eleito, Joe Biden, distribuiu alimentos na Filadélfia, dois dias antes de tomar posse.

No dia em que é celebrado no país um feriado que homenageia Martin Luther King Jr, Kamala Harris renunciou formalmente ao cargo de senadora pela Califórnia, o qual ocupou nos últimos quatro anos, em carta ao governador Gavin Newsom.

Na quarta-feira (20), ela será oficializada como a primeira mulher, negra e pessoa de origem asiática a ser vice-presidente do país.

A política do Partido Democrata, que em novembro de 2016 também tornou-se a primeira mulher negra a ser senadora representando a Califórnia, era na ocasião Procuradora-Geral do estado.

Newsom nomeou o secretário de Estado da Califórnia, Alex Padilla para substituir Harris no Senado, uma câmara que, no caso dos EUA, é liderada pelo vice-presidente do país. Com isso, a agora ex-senadora ainda terá influência na casa, atualmente dividida entre republicanos e democratas em número de cadeiras (50 a 50), tendo o voto de minerva.

Kamala Harris tomará posse como vice-presidente em uma cerimônia em frente ao Capitólio, em Washington, pouco antes de Biden assumir a presidência dos EUA.

BIDEN AJUDA BANCO DE ALIMENTOS.

O presidente eleito, por sua vez, passou o feriado nacional de Dia de Martin Luther King como voluntário com uma ONG, a Philabundance, a maior organização de distribuição de alimentos do estado da Filadélfia.

De acordo com jornalistas que acompanharam o evento, Biden estava colocando alimentos enlatados e sacos de arroz em caixas para distribuição posterior.

Enquanto Kamala e Biden cumpriam a agenda marcada para esta segunda-feira, um falso alarme foi desencadeado por um incêndio sem grandes consequências nas proximidades do Capitólio, a sede do Congresso americano, onde nos últimos dias foram reforçadas medidas de segurança para a possibilidade de um ataque durante os atos de posse.

"Atualmente não há incêndios dentro do complexo do Capitólio. Os membros e funcionários foram aconselhados a se protegerem enquanto o incidente estivesse sendo investigado", acrescentou a nota.

Em um e-mail enviado aos congressistas, publicado pela imprensa americana, a Polícia do Capitólio disse que ninguém estava autorizado a entrar ou sair do complexo e pediu que eles se afastassem de janelas e portas externas.

Um oficial de segurança citado pela rede "NBC" afirmou que o incêndio foi ateado em um acampamento de desabrigados vizinho.

O corpo de bombeiros da capital americana informou no Twitter que havia apagado um incêndio em uma rua a poucas quadras do Capitólio.

Milhares de tropas da Guarda Nacional foram enviadas ao complexo do Congresso e a outras partes do centro de Washington para a posse de Biden e Kamala, depois que centenas de apoiadores do presidente em fim de mandato, Donald Trump, invadiram o Capitólio no dia 6, uma ação que teve saldo de cinco mortos, incluindo um policial.

Além disso, o tráfego tem sofrido restrições em muitas ruas do centro de Washington, onde foram colocadas cercas e montados blocos de concreto.

"MUITAS LIGAÇÕES E MUITAS REUNIÕES".

Quanto a Trump, pouco se sabe sobre o que tem feito nesta segunda-feira.

No domingo à noite, a Casa Branca disse que ele ficaria trabalhando "desde o início da manhã até o final da noite" e que durante este tempo teria "muitas ligações e muitas reuniões", sem dar mais detalhes.

A rede "CNN", com base em três fontes, informou que o presidente em fim de mandato deverá conceder 100 perdões ou comutações de sentenças amanhã, penúltimo dia de seu mandato, beneficiando tudo desde criminosos financeiros a rappers.

As fontes destacaram que não se espera que Trump conceda um perdão a si mesmo de forma preventiva, como alguns veículos de comunicação haviam especulado, para que evitasse processos.

Entre os possíveis beneficiados podem estar o rapper Lyl Wayne, que se declarou culpado no ano passado de carregar uma arma enquanto viajava em um jato particular para a Flórida, e Steve Bannon, ex-conselheiro do atual presidente, que foi preso passado por fraude.