EFELima

A candidata à presidência do Peru no segundo turno do pleito, Keiko Fujimori, classificou como "absurdo" o pedido de um procurador da força-tarefa da Lava Jato no país para que seja presa preventivamente por suposta falta de cumprimento das restrições judiciais na investigação da qual é alvo sob acusação de lavagem de dinheiro.

"O mais absurdo de tudo é a razão pela qual se está solicitando esta mudança (de liberdade condicional para prisão preventiva)", disse Keiko nesta quinta-feira em uma entrevista coletiva na qual estava acompanhada de uma das testemunhas do suposto caso de corrupção, Miguel Torres, advogado e porta-voz do partido da candidata, o Força Popular.

O procurador José Domingo Pérez, integrante da força-tarefa da versão peruana da Lava Jato, alega que Keiko violou uma regra de sua condicional - a que veta encontros com testemunhas do caso - quando concedeu ontem outra entrevista ao lado de Torres, que se ofereceu para testemunhar a favor dela no passado.

Pérez pediu em março de 2020 uma pena de 30 anos e 10 meses de prisão contra Keiko por lavagem de dinheiro, crime organizado, obstrução à justiça e falso testemunho em processo administrativo em em um caso no qual é acusada de ter recebido ilegalmente dinheiro da construtora Odebrecht em suas campanhas presidenciais de 2011 e 2016.

TORRES É TESTEMUNHA.

Embora Torres tivesse dito anteriormente à imprensa peruana que não era testemunha na investigação sobre Keiko, durante a entrevista coletiva desta quinta-feira a advogada dela, Giuliana Loza, admitiu que se enquadra, sim, nesta categoria.

Entretanto, a advogada considerou que o pedido do procurador "carece de toda base jurídica e fática", e disse esperar que o juiz Víctor Zúñiga Urday, responsável pelo caso, "declare esta petição improcedente".

PEDIDO DO PROCURADOR.

No ofício enviado a Zúñiga, Pérez argumentou que Keiko Fujimori não cumpriu a regra de não se comunicar com testemunhas ligadas à investigação.

"Foi determinado mais uma vez que Fujimori Higuchi não está cumprindo a restrição de não se comunicar com testemunhas, já que foi notado como um fato público e notório que ela se comunica com a testemunha Miguel Torres Morales", diz o texto.

Especificamente, Pérez citou a entrevista realizada ontem na qual Torres foi apresentado como porta-voz do Força Popular.

Keiko e Torres estiveram juntos na mesma mesa enquanto o partido da candidata pediu às autoridades eleitorais que anulassem 802 urnas das eleições do último domingo, o que representa cerca de 200 mil votos, sob acusações de irregularidades e "fraude".

RELAÇÃO COM AS ELEIÇÕES.

Keiko alegou que Pérez quer "continuar sendo o protagonista desta campanha eleitoral", na qual são aguardados os resultados do segundo turno. O esquerdista Pedro Castillo está liderando a apuração com pequena vantagem sobre a candidata de direita.

Ela também afirmou que Perez fez o pedido de prisão depois que Torres foi apresentado como uma das pessoas encarregadas do pedido do Força Popular para que sejam anulados cerca de 200 mil votos pró-Castillo que a legenda classifica como fraudulentos.

Keiko disse que seu partido "respeitará a vontade do povo" e ratificou o "respeito absoluto pelos órgãos eleitorais".