EFEBuenos Aires

O presidente do Partido Popular da Espanha (PP) e líder da oposição ao atual governo do país, Pablo Casado, lamentou nesta terça-feira, em Buenos Aires, a expansão do "populismo" na América Latina e pediu a construção de uma "aliança de projetos políticos centrados, moderados e reformistas" na região para combatê-lo.

Em discurso durante um evento no Clube Espanhol da cidade, que contou com a presença, entre outras personalidades, do ex-presidente argentino Mauricio Macri (2015-2019), Casado enfatizou que o populismo "não pode ser combatido com mais populismo, nem com mais extremismo", mas com políticas baseadas em princípios liberais e conservadores.

"Pensamos que combatê-lo (populismo) com radicalismo produz um fogo maior. Tentar aplacar revoluções de esquerda com políticas populistas, que prometem o céu ou soluções fáceis para problemas complexos tende a exacerbar essas tensões", disse.

O líder do PP espanhol iniciou nesta terça-feira, na capital da Argentina, uma série de compromissos na América do Sul. Até a próxima sexta-feira, ele vai visitar Uruguai, Paraguai e Chile, onde terá reuniões com governantes, representantes da sociedade civil e da comunidade espanhola.

CINCO PRINCÍPIOS DA ALIANÇA.

Em seu discurso, Casado explicou que a capital argentina é "um observatório privilegiado" a partir do qual se pode testemunhar o que está acontecendo na América Latina, uma região que passou por recentes mudanças de governo em Peru, Bolívia e Honduras, conforme citou.

O líder do PP espanhol criticou o "esmagamento da oposição" nas últimas eleições nicaraguenses e a permanência, em sua opinião, de uma "cleptocracia narcoterrorista em que viveu a ditadura chavista, agora com (o presidente da Venezuela, Nicolás) Maduro à frente".

Por esta razão, e em vista da organização de seus "adversários ideológicos" no Grupo de Puebla, que reúne líderes progressistas da América Latina e da Espanha, Casado pediu a promoção de uma "aliança pela liberdade" entre os líderes políticos da região, baseada na democracia, no Estado de direito e na defesa da propriedade privada e do livre comércio.

Uma aliança que, naturalmente, deve estar em "coordenação com os diferentes grupos de partidos internacionais", como a Organização Democrata Cristã da América (ODCA), a União dos Partidos Latino-Americanos (UPLA), a Internacional Democrata Centrista (IDC) e a União Democrática Internacional (IDU), a fim de evitar a "dispersão" de propostas.

"Isso é o que viemos aqui hoje propor, isso é o que temos que construir. Temos que recuperar este eixo atlântico, este eixo de prosperidade e liberdade", declarou.

O presidente do PP também usou seu discurso para criticar o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero (2004-2011), que, em sua opinião, tem viajado por países latino-americanos "defendendo e amenizando ditaduras e propondo alternativas não democráticas, ou pelo menos não em defesa da liberdade". EFE