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Em meio a um aumento da controvérsia a respeito do programa atômico iraniano, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, garantiu nesta quarta-feira que o país nunca desenvolverá armas nucleares porque esse tipo de armamento contraria os ensinamentos do islã.

"Apesar de termos a capacidade de desenvolver armas nucleares, as evitamos com firmeza e coragem porque fabricar e armazenar armas nucleares, assim como usá-las, é 'haraam" (termo do islã usado para se referir a algo proibido pela fé), ressaltou o líder em cerimônia com acadêmicos e cientistas.

Khamenei afirmou que "a ciência nuclear é benéfica, mas, como não se combinou com o amor pela humanidade, levou a desastres nucleares", segundo um comunicado de seu escritório.

O líder pediu às elites acadêmicas para que sigam a religião e impeçam que as universidades reproduzam o sistema educacional americano e a "cultura ocidental equivocada".

As autoridades iranianas reiteraram várias vezes que o programa nuclear do país é pacífico e não busca desenvolver a bomba atômica, como temem alguns países ocidentais.

Para evitar essa possibilidade, foi assinado em 2015 um histórico acordo entre o Irã e seis países (EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha) que limita o programa atômico iraniano em troca da suspensão das sanções internacionais impostas ao país islâmico.

No entanto, os EUA se retiraram do pacto no ano passado e voltaram a impor sanções ao Irã, inclusive aos setores de petróleo e bancário, o que debilitou seriamente o acordo.

Em resposta às sanções americanas e à incapacidade da Europa em resistir a elas, as autoridades iranianas deixaram de cumprir alguns dos compromissos nos últimos meses, como os limites de armazenamento e de enriquecimento de urânio.

Em setembro, o Irã anunciou que suspenderia o cumprimento das restrições em matéria de pesquisa e desenvolvimento impostas pelo acordo de 2015 com a instalação de centrífugas avançadas.

Para voltar a acatar as obrigações, o Irã exige que as sanções impostas pelos EUA sejam suspensas ou que pelo menos o resto de signatários do pacto tomem medidas práticas para garantir os interesses econômicos iranianos.

Khamenei advertiu no início deste mês que o Irã continuará a reduzir compromissos do acordo nuclear até conseguir "os resultados desejados".