EFEMinsk

O presidente de Belarus, Alexandr Lukashenko, repudiou nesta quinta-feira as críticas da comunidade internacional à sua posse, uma cerimônia que provocou violentos confrontos entre a polícia e manifestantes em várias cidades do país.

"Eles gritam que não nos reconhecem. Não pedimos a ninguém que reconheça ou não as nossas eleições, que reconheça ou não reconheça a legitimidade do presidente reeleito", disse Lukashenko em um evento na Embaixada da China em Minsk, informou a agência oficial "Belta".

Lukashenko, que tomou posse na quarta-feira, em cerimônia não anunciada, enfatizou que "o importante" é que o ato esteja "em conformidade com a Constituição".

"Na minha opinião, de acordo com a lei, Belarus não deve nada aos países ocidentais e também não tem que avisar ninguém. É um assunto interno de nosso país", analisou.

O mandatário também negou que o evento fosse clandestino, já que quase 2.000 pessoas foram convidadas, mas não os embaixadores dos países com delegações em Minsk.

Estados Unidos, Alemanha, Polônia, República Tcheca, Ucrânia, Lituânia, Letônia e Estônia se recusaram na quarta-feira a reconhecer a posse de Lukashenko, acusando-o de manipular os resultados eleitorais e de reprimir violentamente os protestos pacíficos contra o governo.

A União Europeia (UE) anunciou nesta manhã que não reconhece a posse de Lukashenko como presidente de Belarus por causa dos "resultados falsificados" nas eleições presidenciais realizadas em 9 de agosto.

"A UE não reconhece os resultados falsificados. A chamada 'posse' em 23 de setembro e o novo mandato reivindicado por Alexander Lukashenko carecem de toda a legitimidade democrática", disse o alto representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell.

O Ministério das Relações Exteriores de Belarus emitiu nesta quinta-feira uma declaração na qual assegura que a condenação de "alguns" países ocidentais não reflete a opinião da "grande maioria" da comunidade internacional.

Segundo o Ministério do Interior, quase 400 pessoas foram presas ontem, em Minsk e em outras cidades, durante os protestos, que foram reprimidos pela polícia. EFE

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