EFEParis

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista ao jornal francês "Le Monde" em que negou que o Partido dos Trabalhadores (PT) deva fazer uma autocrítica, reiterou a própria inocência e acusou o atual chefe de governo, Jair Bolsonaro, de destruir o país.

"Por que (o PT) teria que fazer autocrítica? Em que assunto? O PT não tem que mudar de nome, tem que mudar o que há na mente do povo", disse Lula em entrevista concedida na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde cumpre uma condenação de oito anos e dez meses de prisão.

O ex-presidente disse ter certeza de que teria vencido as últimas eleições realizadas no ano passado, caso tivesse concorrido, e fez elogios ao próprio partido.

"O PT é o partido de esquerda mais extraordinário do mundo", opinou.

Sobre Bolsonaro, Lula o acusou de se limitar a destruir, desde a educação até grandes empresas, como a Petrobras, e declarou que o atual chefe de Estado "não faz nada".

"É um governo de destruição, sem nenhuma visão de futuro, sem programa, que não é qualificado para o poder", criticou o ex-presidente, que vê o atual governo como fruto da negação da política por parte dos eleitores.

"Nesses momentos da história, em que a política é tão odiada, o povo se vira para o primeiro monstro que aparece", completou.

Lula considera que Bolsonaro está sendo passivo diante dos incêndios na Amazônia e pediu mobilização da população.

"O povo precisa reagir, é preciso que os brasileiros se mobilizem", alertou o ex-presidente.

Lula ainda recusou qualquer paralelo entre a forma como o governo atual trata as questões ambientais e a construção da usina de Belo Monte, autorizada durante o segundo mandato do petista.

"Aquela era uma obra necessária e foi feita em acordo com todas as comunidades indígenas que lá vivem", ponderou.

Lula discorda do presidente da França, Emmnauel Macron, que considerou que a proteção da Amazônia é um assunto que cabe a todo o mundo.

"A Amazônia é propriedade do Brasil, faz parte do patrimônio brasileiro. E o Brasil deve cuidar dela. Isso não quer dizer que tenha que ser ignorante e que a ajuda internacional não é importante. Mas a Amazônia não pode ser um santuário para a humanidade", afirmou Lula, que lembrou que na região vivem 20 milhões de pessoas "que têm necessidade de comer e de trabalhar".

Em relação a si mesmo, o ex-presidente, de 72 anos, destacou que não quer qualquer favorecimento.

"Apenas justiça. Minha casa não é uma prisão. Tudo que eu quero é que reconheçam minha inocência", disse.