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Entraram em vigor nesta segunda-feira restrições de circulação para tentar conter o avanço da Covid-19 em oito novas regiões determinadas pela Comunidade Autônoma de Madri, que manteve sua decisão de aplicar as medidas a 45 áreas, afetando cerca de 1 milhão de pessoas apenas, em vez de estendê-las a toda a capital do país, como o governo da Espanha havia solicitado.

Caso a medida fosse aplicada a toda a região, o número de cidadãos que teriam que cumpri-la poderia chegar a aproximadamente 6,5 milhões.

Os cidadãos afetados, que moram no sul da comunidade, em áreas mais populosas e de menor nível socioeconômico, só poderão sair dessas zonas delimitadas pela administração local para trabalhar, estudar, ir ao médico ou caso seja imprescindível.

Dentro dessas 45 áreas, a capacidade máxima de estabelecimentos comerciais e centros religiosos será reduzida, e lojas, bares e restaurantes terão seu horário de funcionamento reduzido, devendo fechar as portas às 22h.

Madri decidiu manter este plano depois de um fim de semana em que se espalharam rumores sobre uma possível intervenção do governo espanhol, que pediu que as medidas fossem estendidas à capital do país como um todo e também aos municípios da comunidade onde, durante os últimos 15 dias, foram registrados mais de 500 casos de infecções pelo novo coronavírus por 100.000 habitantes.

O ministro da Saúde da Espanha, Salvador Illa, disse em uma entrevista exibida no domingo pelo programa El Objetivo, da emissora de televisão "La Sexta", que em Madri é preciso "agir com determinação", porque há um "sério risco" para a saúde pública, e que se a administração regional não tomar as providências necessárias, o governo espanhol o fará, mas não explicou como.

Illa argumentou que a comunidade autônoma mais afetada pelo aumento de casos de Covid-19 do país tem um importante centro de comunicação, uma área com uma densidade populacional muito elevada, o que afeta as regiões vizinhas.

Além disso, ele destacou que em Madri a incidência cumulativa de infecções também é muito alta, assim como a taxa de hospitalização e de ocupação de UTIs e o percentual de testes do tipo PCR positivos, que está acima de 20%.

Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, os casos de Covid-19 em Madri desde o início da pandemia chegaram a 213.709, dos quais 1.001 foram registrados nas últimas 24 horas.

No entanto, a presidente da comunidade autônoma, a conservadora Isabel Díaz Ayuso, do Partido Popular (PP), defendeu neste domingo, em entrevista à emissora de televisão "Antena 3", que "o confinamento total não é possível", já que existe também uma "pandemia social e econômica, motivo pelo qual se optou por "uma medida intermediária".

Ayuso também criticou a postura do governo espanhol e disse não entender quais são os motivos políticos que estão por trás da ameaça de intervenção feita pelo ministro da Saúde.

No dia 21 de setembro, após meses de embates, o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e Ayuso se reuniram em Madri e concordaram em coordenar de forma conjunta as ações de combate ao novo coronavírus na região.

No entanto, esse clima de entendimento não durou muito e, desde a última sexta-feira, as divergências entre as duas administrações se tornaram públicas.