EFEWashington

O chanceler do México, Marcelo Ebrard, tentou convencer nesta sexta-feira a Casa Branca a financiar uma espécie de "Plano Marshall" para o Triângulo Norte da América Central porque, para o governo mexicano, atacar as causas da migração é a forma mais "eficaz" de conter esse fenômeno.

Em entrevista coletiva, Ebrard ofereceu detalhes da conversa que teve na Casa Branca com Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assim como com o secretário interino do Departamento de Segurança Nacional, Kevin McAleenan, encarregado da política migratória.

O chanceler se mostrou convencido de que Washington avaliará o "tema da eficácia" do Plano de Desenvolvimento Integral da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

"Não estou falando da bondade do plano que estamos apresentando, mas da eficácia. A cada mês mais pessoas deixam seus países, de acordo com os números oficiais dos EUA. Então pensamos que isto será mais eficaz e hoje nos receberam na Casa Branca para escutar essa sugestão", explicou Ebrard.

O programa, divulgado na segunda-feira no México, procura atacar as causas que obrigam milhares de cidadãos do Triângulo Norte da América Central (Honduras, El Salvador e Guatemala) a emigrar aos EUA.

A ideia, detalhou o chanceler, é que esses três países possam "se incorporar ao desenvolvimento" da América do Norte para agilizar as trocas comerciais e aumentar o crescimento.

O "Plano Marshall" propõe, entre outras coisas, melhorar a segurança das escolas com a ajuda do Unicef; assim como a construção de infraestruturas, sobretudo no setor energético, para conseguir uma substancial redução dos custos da energia e aumentar a produção e o consumo.

Para isso, Ebrard admitiu a necessidade de fundos internacionais e também dos países envolvidos: México, EUA, Honduras, El Salvador e Guatemala.

O chanceler detalhou que as nações da região estão agora decidindo seus orçamentos, enquanto o México se comprometeu a investir US$ 25 bilhões nos próximos cinco anos no desenvolvimento econômico e social do sul do país e do Triângulo Norte.

Ebrard não disse, no entanto, quanto o México fornecerá especificamente ao plano da Cepal, cuja implementação teria um custo de US$ 7 bilhões, segundo indicou nesta sexta-feira.

Em dezembro, o México anunciou que Washington dedicaria US$ 5,8 bilhões ao plano para a América Central, mas posteriormente o Departamento de Estado dos EUA precisou que só haverá US$ 2 bilhões de novos fundos, pois o resto provém de verbas que não foram gastas e que foram aprovadas entre 2015 e 2018.

A viagem de Ebrard para apresentar o projeto continuará na próxima semana em Berlim, onde deve se reunir com seu homólogo alemão, Heiko Maas.