EFEHong Kong

Milhares de cidadãos de Hong Kong lotaram nesta quarta-feira o centro da cidade para pedir aos líderes dos países participantes da Cúpula do G20 que defendam os direitos e as liberdades da ex-colônia britânica.

De manhã, a Frente Civil de Direitos Humanos organizou uma "maratona" para visitar 19 consulados de países inscritos na cúpula internacional, que começa amanhã em Osaka (Japão).

Nos centros diplomáticos, foram entregues cartas pedindo aos países que pressionem o presidente da China, Xi Jinping, e que expressem a ele as suas preocupações sobre Hong Kong, como a defesa, a zona de livre comércio e a proteção dos direitos dos cidadãos.

À tarde, o grupo fez uma reunião, com o tema "Libertem Hong Kong - Democracia agora!". À noite, vários profissionais foram convidados para ler uma declaração conjunta em diferentes idiomas na rraça de Edinburgh, no coração financeiro do território, e debateram a relação entre Hong Kong e a comunidade internacional.

"A manifestação é para exigir responsabilidades, libertar Hong Kong da intromissão do Partido Comunista Chinês e denunciar a opressiva e péssima gestão desta crise feita pela chefe do governo de Hong Kong, Carrie Lam", disse Ray Chan, membro do Conselho Legislativo, à Agência Efe.

Em um manifesto divulgado durante a marcha de hoje, os participantes afirmam que "a democracia e a liberdade são valores universais e invioláveis" e criticam a China por quebrar promessas e "não respeitar o princípio de 'um país, dois sistemas'".

"A proposta de lei de Lam destruiria nossas liberdade e segurança. Atualmente, não há democracia em Hong Kong. Protestamos e só conseguimos uma desculpa. Líderes do G20, os cidadãos de Hong Kong pedem que defendam os nossos direitos", acrescentou.

A ideia dos manifestantes é aproveitar a cúpula para dar mais repercussão ao protesto.

"Queremos fazer pressão na comunidade internacional para que repercuta sobre o governo chinês", disse à Efe Calvin Wong, um dos manifestantes, que escrevia em um quadro portátil: "Nós temos um sonho: viver com dignidade e sem medo. Não à lei! Não à China!"

O protesto acontece depois que o ministro de Assuntos Exteriores da China, Zhang Jun, disse na segunda-feira que o seu país não permitirá que o tema dos protestos em Hong Kong seja abordado durante a cúpula, porque este é um "assunto interno" no qual "nenhum país nem indivíduo estrangeiro" deve intervir.

"O G20 é um fórum de cooperação econômica e deve se concentrar em coordenar políticas macroeconômicas para lidar com os desafios. O G20 não vai discutir os assuntos de Hong Kong e não aceitaremos inclui-los na agenda", reiterou hoje o porta-voz de Assuntos Exteriores, Geng Shuang, na entrevista coletiva diária.

Os ativistas de Hong Kong arrecadaram hoje mais de 6,7 milhões dólares de Hong Kong (R$ 3,19 milhões) em uma campanha de financiamento coletivo para inserir anúncios em 13 jornais internacionais de nove países, em uma tentativa de conseguir que o polêmico projeto de lei de extradição figure na ordem do dia da cúpula.

A arrecadação alcançou o objetivo inicial, de 3 milhões de dólares de Hong Kong (R$ 1,43 milhão) em dez horas, quando mais de 20 mil doadores já haviam feito contribuições.

O anúncio consiste em carta aberta que pede que cidadãos estrangeiros pressionem seus governos antes da cúpula, que terá as presenças de Xi e do chefe de Finanças de Hong Kong, Paul Chan.

Milhões de pessoas se manifestaram nas últimas semanas em Hong Kong contra um projeto de lei de extradição promovido pelo governo autônomo que poderia permitir a entrega a vários países, entre eles a China, de suspeitos de crimes.

Os opositores ao projeto, que Lam deixou "em aberto" diante dos protestos, temem que a nova lei possa facilitar a transferência de ativistas, jornalistas e trabalhadores de direitos humanos ao continente para serem julgados pela Justiça chinesa, que alegam que não oferece garantias suficientes.

Além da manifestação de hoje, organizações de ativistas participarão de outro protesto em 1º de julho, data da transferência da soberania britânica de Hong Kong à China, em 1997.