EFEMar Sánchez-Cascado, Hong Kong

Milhares de manifestantes voltaram às ruas em Hong Kong neste domingo, em passeata batizada como "Marcha do Dia dos Direitos Humanos", no marco de seis meses do início dos protestos no território semiautônomo da China.

As pessoas foram às ruas para reforçar as reivindicações pró-democracia, que tomaram conta da região desde junho, e também para celebrar a data comemorativa, que será na próxima terça-feira.

Esta foi a primeira manifestação convocada pela Frente Civil dos Direitos Humanos que recebeu autorização da polícia local desde 21 de junho, quando o governo de Hong Kong proibiu as mobilizações convocadas por esta organização não-governamental.

"O governo deve responder nossas cinco exigências para cumprir com o dever de proteger os direitos humanos internacionais e defender a dignidade humana", diz o texto do grupo.

A Frente Civil dos Direitos Humanos garantiu que esta é a "última oportunidade" para a chefe do governo local, Carrie Lam, cumprir com as principais demandas populares, que incluem uma investigação independente sobre a atuação das forças de segurança nos protestos, anistia para presos e voto universal.

Hoje, a marcha foi iniciada no Victoria Park, localizado no distrito comercial de Causeway Bay e se dirigiu até Chater Road, próximo ao coração do distrito financeiro de Hong Kong.

Muitos dos organizadores levavam pequenas urnas, onde poderia ser depositado dinheiro, que será utilizado na assistência jurídica aos mais de 4 mil detidos até o momento devido participação em protestos.

GÁS LACRIMOGÊNEO.

Nos últimos seis meses, a polícia de Hong Kong disparou mais de 10 mil cargas de gás lacrimogêneo, o que gera apelo entre os ativistas, por causa dos males à saúde dos manifestantes. Além disso, está sendo solicitado que as autoridades revelem os ingredientes químicos da munição.

O governo local, no entanto, vem se negando a divulgar as informações, enquanto as autoridades de saúde não confirmam os possíveis prejuízos à saúde das pessoas que ficam em contato com a munição não-letal.

Hoje, não houve registro de confrontos, embora tenha sido montado um forte esquema de segurança para acompanhar os protestos.

Poucos antes do início da passeata, 11 pessoas foram presas e uma arma apreendida. Segundo a polícia, a ideia do grupo era utilizar o artefato para se defender, em caso de confronto.

Ainda antes da multidão se reunir, o governo de Hong Kong divulgou um comunicado, em que expressava a esperança de que as pessoas estariam nas ruas para mostrar os pontos de vista e lutar pelos direitos e liberdade, respeitando as demais pessoas.

De antemão, as autoridades locais anteciparam que qualquer ato violento e ilegal estava condenado.