EFECartum

O primeiro-ministro do Sudão deposto Abdalla Hamdok voltou para casa junto com a esposa nesta terça-feira, liberado sem restrições um dia após a sua equipe denunciar que o governante havia sido detido durante o golpe de Estado militar, informou uma fonte militar à Agência Efe.

"Hamdok voltou com a esposa à sua residência no subúrbio de Kafouri, em Cartum do Norte, e não tem nenhuma restrição de movimento nem de comunicação", afirmou à Efe uma fonte do gabinete do comandante em chefe do Exército, Abdelfatah al Burhan, que pediu anonimato.

A residência do ex-premiê encontra-se sob custódia por elementos de segurança, mas para sua própria proteção, acrescentou a fonte, afirmando que Al Burhan cumpriu o que havia prometido horas antes em entrevista coletiva.

O Ministério da Informação do Conselho de Ministros dissolvido ontem pelos militares denunciou no mesmo dia que Hamdok havia sido detido e desaparecido após ter rejeitado o golpe, mas hoje o líder militar afirmou que estava em sua própria casa.

"Ninguém o raptou ou agrediu; ele está em minha casa", disse Al Burhan, em entrevista coletiva em Cartum, na qual garantiu que "quando a situação se acalmar e a paz prevalecer, ele voltará para casa", após ser detido na manhã de ontem com sua esposa.

"O primeiro-ministro está comigo em minha casa e vive sua vida de maneira normal", afirmou Al Burhan, destacando que "ele não está sob pressão".

Em relação a outros membros do governo e do Conselho Soberano, o órgão máximo de poder durante o processo de transição e composto por militares e civis, detidos durante o golpe, Abdelfatah al Burhan disse que serão julgados se forem apresentadas acusações contra eles ou libertados.

A prisão de Hamdok e de outras figuras políticas do país durante o golpe amplamente condenada pelos militares e por vários países e instituições como os Estados Unidos, a União Europeia e a União Africana pediram sua libertação. EFE