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Kenneth Kaunda, o primeiro presidente e pai fundador da República da Zâmbia, morreu aos 97 anos depois de ter sido internado recentemente em um hospital com pneumonia, informou nesta quinta-feira seu filho mais novo, Kambarage Kaunda.

"Estou triste em informar que perdemos Mzee (Ancião), vamos orar por ele", disse Kambarage a repórteres, referindo-se a seu pai.

O principal líder da oposição, Hakainde Hichilema, também confirmou a morte de Kaunda.

"Soubemos com profundo pesar da morte do primeiro presidente da Zâmbia e de nosso fundador, Dr. Kenneth David Buchizya Kaunda. Ele faleceu pacificamente em Lusaca hoje, após uma breve doença", declarou Hichilema em seu site.

O assistente administrativo do ex-presidente, Rodrick Ngolo, havia relatado na segunda-feira a internação de Kaunda no Hospital Militar Maina Soko, em Lusaca, sem especificar o problema de saúde.

Já na terça-feira, o assistente disse à Agência Efe que o ex-presidente foi hospitalizado devido a uma pneumonia, mas estava se recuperando, e negou que Kaunda tivesse contraído o coronavírus.

Kaunda sempre gozou de boa saúde, condição que atribuiu à dieta vegetariana que segue há mais de 50 anos, embora nas últimas aparições públicas tenha mostrado uma aparência frágil.

Depois que a hospitalização foi anunciada na segunda-feira, o atual presidente da Zâmbia, Edgar Lungu, que está concorrendo à reeleição nos pleitos de 12 de agosto, pediu à nação que rezasse por Kaunda "para que Deus possa tocá-lo com sua mão curadora".

Kaunda, uma das últimas figuras sobreviventes da luta anticolonial da África na década de 1950, tornou-se o primeiro presidente da Zâmbia em 1964, ano em que o país conquistou a independência do Reino Unido.

Popularmente conhecido como "KK" (iniciais de seu nome), o ex-presidente foi um crítico feroz do sistema segregacionista do apartheid na África do Sul e do governo de minoria branca na Rodésia (atual Zimbábue).

Inicialmente, Kaunda fez grandes avanços para melhorar a vida dos zambianos, mas falhou em cumprir sua promessa de manter a democracia ao introduzir um estado de partido único em 1973.

Em 1991, sob pressão da oposição, restaurou a democracia multipartidária convocando eleições nas quais foi derrotado e deixou o poder pacificamente.