EFEBarcelona (Espanha)

Milhares de simpatizantes do movimento separatista catalão realizaram um grande protesto nesta segunda-feira que provocou o cancelamento de 100 voos no aeroporto El Prat, em Barcelona, após o Tribunal Supremo da Espanha condenar de 9 a 13 anos de prisão nove líderes independentistas que já estavam detidos provisoriamente.

Além disso, centenas de manifestantes se concentraram na praça de Sant Jaume (onde ficam a sede do governo regional e a Câmara municipal) e nos centros de outras cidades catalãs.

O aeroporto de Barcelona se transformou no epicentro dos protestos do movimento separatista. Os acessos aos terminais foram bloqueados, e manifestantes e policiais chegaram a entrar em confronto no setor de desembarque.

CONFRONTOS NO AEROPORTO.

Os agentes da polícia regional catalã (Mossos d'Esquadra) chegaram a disparar jatos d'água para dispersar os manifestantes, alguns dos quais responderam com os extintores e as mangueiras de extinção de incêndios do aeroporto.

O bloqueio ao aeroporto El Prat por causa dos protestos provocou o cancelamento de 108 voos previstos para hoje e pelo menos outros 20 marcados para esta terça-feira.

À noite, agentes da Polícia Nacional espanhola entraram em confronto com grupos de manifestantes que se tinham se reunido em frente à Chefia Superior de Polícia, na Via Laietana, na região central de Barcelona.

O Sistema de Emergências Médicas (SEM) atendeu ao longo do dia 56 pessoas, 37 delas no aeroporto, todas elas com lesões leves.

Os protestos convocados por coletivos independentistas contra as sentenças também afetou outras partes da Catalunha. Na cidade de Tarragona, a manifestação reuniu 6.000 pessoas, segundo a polícia local.

Além disso, ao longo do dia, foram bloqueadas estradas e linhas férreas por todo o território catalão, inclusive em um trecho da rodovia AP-7, uma das mais importantes da Espanha.

RESPOSTA POLÍTICA.

Toda a classe política se pronunciou sobre as sentenças, desde o governo espanhol - o presidente Pedro Sánchez defendeu o "cumprimento na íntegra" - ao chefe do governo regional catalão, oo independentista Quim Torra, que pediu "anistia".

Em pronunciamento a jornalistas em espanhol e inglês, Sánchez afirmou considerar a sentença como um "fracasso" do separatismo e apostou em uma nova etapa de diálogo dentro da lei.

O presidente do governo espanhol anunciou que se manterá "atento" às respostas à sentença, garantirá a "convivência e a segurança" e tomará as medidas necessárias caso haja novos distúrbios.

Antes de Sánchez, Torra fez um pronunciamento no qual classificou como "injusta e antidemocrática" a decisão da justiça e exigiu o "fim da repressão e a liberdade de presos políticos e exilados", incluindo a "anistia como ponto final".

Entre os líderes dos principais partidos espanhóis, Pablo Casado, do Partido Popular, exigiu de Sánchez um compromisso claro sobre a questão catalã.

Casado considerou adequada a sentença, mas propôs uma reforma do Código Penal que inclua o crime de rebelião sem violência, figura que não está incluída atualmente na legislação espanhola.

"Hoje foi feito justiça", disse por sua vez o líder do partido Ciudadanos, o catalão Albert Rivera, que também exigiu que não haja indultos ou privilégios para os condenados.

Por sua vez, o líder do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, ressaltou o consenso na decisão do Tribunal Supremo de que não houve violência suficiente para que os réus fossem condenados por rebelião (o que poderia render condenação a até 25 anos de prisão).

A RESPOSTA INDEPENDENTISTA.

Na Catalunha, os líderes independentistas criticaram a sentença.

"A democracia morreu no Estado", "a sentença representa uma maior agressão (à Catalunha) desde o julgamento do ex-presidente catalão Lluis Companys (fuzilado em 1940 durante o regime do ditador Francisco Franco)" foram frases ditas pela secretária-geral adjunta do partido independentista republicano ERC, Marta Vilalta, e seu porta-voz no Congresso espanhol, Gabriel Rufián.

O prota-voz disse que as manifestações devem continuar nas ruas, de forma pacífica e cívica, mas também nas urnas, nas próximas eleições gerais que serão realizadas em 10 de novembro.

Em Bruxelas, o ex-presidente regional da Catalunha Carles Puigdemont, foragido da justiça espanhola e contra quem hoje foi expedida uma nova ordem de prisão de abrangência europeia, declarou que a sentença confirma a estratégia de "repressão e vingança" contra o movimento independentista catalão.