EFENações Unidas

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defendeu nesta terça-feira, perante a Assembleia Geral da ONU, os direitos de seu país e dos cipriotas turcos no Mediterrâneo oriental, em meio a tensões com a União Europeia (UE) por causa da exploração petrolífera turca, que Bruxelas considera ilegal.

"Não podemos ignorar a violação dos direitos de nosso país e dos cipriotas turcos, ou o fato de que nossos interesses estão sendo ignorados", disse Erdogan, em um discurso gravado, onde culpou os problemas existentes da região às "medidas unilaterais tomadas pela Grécia e pelos cipriotas gregos desde 2003, com exigências maximalistas".

Os estudos lançados por Ancara são realizados em águas soberanas ou sobreposição com as zonas econômicas exclusivas da Grécia e de Chipre.

Os líderes da UE haviam planejado se reunir na quinta e sexta-feira para discutir, entre outros assuntos, o futuro das relações com a Turquia, embora a reunião tenha sido adiada para os dias 1º e 2 de outubro.

O alto representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, na semana passada durante evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, acusou a Turquia de rejeitar a arbitragem internacional no Mediterrâneo oriental.

"Ignorar nosso país no que diz respeito aos recursos naturais da região não pode ser explicado pela sabedoria ou consciência, nem pelo direito internacional", disse Erdogan.

O presidente turco também destacou que sua prioridade é "resolver as disputas em um diálogo sincero, com base no direito internacional e em bases equitativas", embora tenha alertado que "nunca tolerará uma imposição, assédio ou ataque na direção oposta".

Além disso, Erdogan convocou uma conferência regional que incluísse os cipriotas turcos e na qual "os direitos e interesses de todos os países da região sejam considerados".

O Chipre está dividido desde 1974, na sequência da invasão turca do norte da ilha, e em 1983, a República Turca de Chipre do Norte declarou-se independente, sem reconhecimento internacional, exceto o da Turquia.

Erdogan já sugeriu a organização desta reunião tanto ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, como à chanceler alemã, Angela Merkel, tendo em vista a iminente cúpula da UE.

Para o presidente turco, "um dos motivos da crise na região é a ausência de uma solução justa, global e permanente para a questão cipriota" e salientou que o "único obstáculo" a um acordo é a abordagem "intransigente e injusta" por parte dos cipriotas gregos. EFE

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