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As negociações que ocorrem na Cúpula do Clima (COP25), em Madri, tornaram-se complicadas em algumas das questões consideradas fundamentais e decisivas para reduzir efetivamente as emissões de gases de efeito estufa.

Isso inclui mercados de carbono, medidas que devem ser promovidas para ajudar os países a diversificar suas economias - nos casos em que depende quase exclusivamente de combustíveis fósseis - ou compromissos específicos que os países devem adotar no próximo ano para aumentar a ambição e cumprir o Acordo de Paris.

Fontes familiarizadas com o andamento das negociações apontaram quais são as armadilhas que estão atrasando os acordos na véspera do encerramento da COP25, marcada para amanhã.

Além dos obstáculos relacionados ao artigo 6 do Acordo de Paris, que regula os mercados de carbono, foram adicionadas medidas que devem ser aplicadas no futuro para ajudar alguns países a diversificar suas economias quando dependem quase exclusivamente de recursos como o petróleo.

Na cúpula discutem como ajudar os países altamente dependentes do petróleo a diversificar suas economias. Porém, na mesa de negociações, está sendo ressaltado que não é a mesma coisa ativar mecanismos de ajuda a países como Nigéria ou Equador, do que fazê-lo para outros, com um PIB elevado e renda per capita, como a Arábia Saudita.

O Acordo de Paris obriga os países a adotar medidas para que a temperatura global não suba acima de 1,5 graus Celsius, e as Contribuições Nacionais Determinadas (compromissos específicos de cada país) devem ser revistas em alta para cumprir esses objetivos.

Mas os países também não chegaram a um acordo sobre se essa revisão para cima deve ser concluída em 2020 ou se existe um prazo até 2023 para isso, explicaram as mesmas fontes, e a relutância de alguns países em acelerar a revisão dificulta o acordo.

Entre as nações que mais relutam em acelerar essas contribuições nacionais, estão algumas, como a Índia, que são especialmente vulneráveis aos efeitos da mudança climática e estão sofrendo severamente com seus impactos.

A futura regulamentação dos mercados de carbono também continua desacelerando em algumas mesas de negociação, e os países debatem a transição do Protocolo de Kyoto para o Acordo de Paris ou como evitar a "dupla contagem" em sistemas de mercados complexos.

Alguns países estão defendendo a necessidade de que uma parcela desses mercados esteja diretamente ligada a fundos de adaptação para financiar programas que ajudem a aumentar a resiliência às mudanças climáticas.

Também não há um acordo sobre questões relacionadas aos mecanismos internacionais de "perdas e danos" para ajudar a aumentar a assistência aos países mais vulneráveis à emergência climática e com pouca capacidade de ação, como alguns pequenos países insulares, muitas ilhas do Caribe, Bangladesh e algumas partes da África.