EFENursultan

O presidente do Cazaquistão, Qasim-Yomart Tokayev, enviou nesta quarta-feira uma mensagem à sociedade cazaque, que reivindica mudanças e melhorias, ao assegurar que atenderá os problemas mais agudos dos cidadãos e impulsionará um diálogo para isso que inclua também os jovens.

"Planejo abordar especificamente os problemas sociais agudos, oferecendo assistência aos mais necessitados", disse o presidente de 66 anos em seu discurso de posse no Palácio da Independência após vencer no domingo passado as eleições antecipadas com cerca de 71% dos votos.

"O governo tem a tarefa de preparar medidas para conseguir resultados tangíveis nesta área. Necessitamos atualizar seriamente a política social", admitiu Tokayev em um ato solene diante de membros do parlamento, do Conselho Constitucional e da Corte Suprema, assim como de seu antecessor, Nursultan Nazarbayev.

Este deixou a presidência em março após 30 anos no comando do país, uma vez que chegou ao poder da república soviética do Cazaquistão em 1989 e, uma vez proclamada a independência da União Soviética em 1991, assumiu a chefia de Estado.

Tokayev, que assumiu então a presidência por designação de Nazarbayev e foi nomeado pouco depois candidato às eleições antecipadas pelo partido governista Nur Otan, se mostrou consciente da necessidade de satisfazer as reivindicações da sociedade contra a repartição desigual das riquezas nacionais - petróleo, gás e urânio -, com as tensões nos últimos meses como cenário de fundo.

As eleições se viram marcadas pela detenção entre domingo e segunda-feira de cerca de 700 pessoas em protestos.

As instituições cazaques defenderam a atuação da polícia e asseguraram que os protestos em Nursultan e Almaty foram organizados por partidários ativos da Escolha Democrática do Cazaquistão, uma organização extremista proscrita no país, "seguindo as instruções de seus líderes no exterior".

O banqueiro foragido Mukhtar Ablyazov, atualmente na França, utilizou as redes sociais para estimular o boicote e instigar os protestos, especialmente entre os jovens.

As detenções foram criticadas por observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) que as classificaram de "violações das liberdades fundamentais" como o direito à reunião e expressão.

O OSCE também denunciou "grandes irregularidades" nas eleições, como o preenchimento de urnas, votos grupais e assinaturas idênticas em listas de eleitores, mas Tokayev ressaltou que outros observadores avaliaram positivamente os pleitos.

O presidente cazaque tem agora diante de si a tarefa de garantir a estabilidade política e a segurança dos investimentos, ao mesmo tempo em que deve atender as crescentes exigências do povo.

Neste sentido, Tokayev prometeu continuar o curso desenvolvido pelo seu antecessor.

"Em primeiro lugar, trabalharei na implementação da Terceira Modernização do Cazaquistão, das ideias das Cinco Reformas Nacionais e de outros documentos estratégicos importantes do nosso Estado. Trabalharei na aplicação da estratégia de 'Elbasi'", disse, em referência ao título de líder da nação de Nazarbayev.

Tokayev prometeu também, mas sem dar detalhes, novos enfoques e novas soluções na gestão do país, para que este alcance um novo nível de desenvolvimento sustentável.

Nesse sentido, assegurou que apoiará os empresários, atrairá e protegerá os investimentos, estimulará a atividade empresarial e formará "uma ampla classe média", além de impulsionar a digitalização.

O novo presidente ainda disse que para ele "o mais importante não são os números gerais do desenvolvimento econômico, mas o bem-estar real de todos os nossos cidadãos".

A economia cazaque cresceu 4,1% no ano passado e, para 2019, se prevê uma desaceleração com um crescimento de 3,2%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Nossos cidadãos estão muito preocupados com o desenvolvimento de um diálogo entre o governo e a sociedade", admitiu, defendendo reconhecimento "do pluralismo de opiniões".

Tokayev aproveitou seu discurso para lembrar que haverá um Conselho Nacional de Confiança Pública que incluirá representantes de toda a sociedade, incluídos os jovens, e que se reunirá pela primeira vez em agosto.

Além disso, garantiu que, ao tomar decisões sobre questões estratégicas, "a posição da maioria da população será levada em conta" e que se desenvolverá um plano "com as melhores ideias e sugestões do povo".