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Nove dos migrantes que estão há 19 dias retidos no navio da ONG "Open Arms" se jogaram nesta terça-feira no mar para chegar a nado ao porto de Lampedusa, localizado a cerca de 800 metros da embarcação, que depois foram resgatados pelos socorristas.

"Nove pessoas se jogaram no mar para tentar chegar à costa de Lampedusa. Nossos socorristas e a Guarda Costeira italiana estão tentando resgatá-los. A situação está fora de controle", escreveu a ONG espanhola nas redes sociais, onde também postou um vídeo no qual se é possível ver várias pessoas com coletes salva-vidas na água.

Nos últimos dias, desde que o navio humanitário está retido perto de Lampedusa à espera de uma solução, já ocorreram outros casos de migrantes que se lançaram ao mar, o último nesta mesma manhã, embora este seja o mais numeroso.

A situação em torno do navio da "Open Arms" segue bloqueada com quase cem migrantes a bordo depois que durante a madrugada a Itália autorizou a evacuação a Lampedusa de oito pessoas que necessitavam de "assistência médica urgente" e um acompanhante.

"Os que não querem ver a situação insustentável a bordo são incapazes de sentir empatia pela dor alheia", afirmou a ONG espanhola após informar sobre a evacuação autorizada.

Após esta nova evacuação parcial, restam no Open "Arms", 98 pessoas, das mais de 150 que foram resgatadas pela embarcação no Mediterrâneo em três operações entre os dias 1 e 10 de agosto.

A Espanha ofereceu um porto espanhol para desembarcar os migrantes, mas a tripulação e responsáveis da ONG alegam que depois de tantos dias e com uma grande tensão a bordo, não podem navegar com segurança com os migrantes amontoados em estado de grande agitação.

Diante da situação, o ministro de Transportes italiano, Danilo Toninelli, ofereceu levar os migrantes que seguem no navio "Open Arms" até um porto espanhol com uma embarcação da Guarda Litorânea, mas pede que a Espanha retire a bandeira que ondeia na embarcação humanitária espanhola para escoltá-la vazia.

Por sua vez, o ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que não permitiu o desembarque dos migrantes em Lampedusa, se mostrou "orgulhoso" de sua linha firme.

"A linha de firmeza é a única forma de evitar que a Itália se transforme novamente no campo de refugiados da Europa.. Estou convencido de que esta é a opinião da maioria dos italianos. Orgulhoso do tem sido feito até agora, às vezes contra tudo e contra todos, para defender as fronteiras e a segurança do meu país. Portos fechados", escreveu Salvini no Facebook.