EFEKinshasa

Pelo menos 16 pessoas morreram em um ataque ontem à noite no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), em um novo incidente violento que se soma aos que em duas semanas causaram mais de 200 mortes na província de Ituri, informaram nesta quinta-feira à Agência Efe fontes militares e da sociedade civil.

"O incidente ocorreu ontem à noite na cidade de Nyamamba, nos arredores do lago Alberta", disse à Efe por telefone o ativista de Bunia (capital de Ituri) Godefroid Tshombe.

Tshombe detalhou que entre os mortos havia seis membros das Forças Armadas - quatro mulheres e dois homens - e os demais eram todos civis.

"Uma das nossas posições foi atacada e respondemos. Alguns de nossos homens caíram, mas a situação é relativamente tranquila hoje", explicou o porta-voz das Forças Armadas da RDC (FARDC), Jules Ngongo, em declarações à Efe em Kinshasa.

Desde o início da semana passada, o território de Djgu, um dos cinco que compõem a província de Ituri, vive com ataques de homens armados contra as comunidades locais.

Os ataques provocaram mais de 200 mortes e, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), forçaram o deslocamento de 300.000 pessoas.

A tensão entre as comunidades lendu e hema, que são as duas principais nesta região e travaram disputas históricas por poder e território, aumentou nas últimas semanas.

"Quatro jovens lendu foram assassinados por hemas há duas semanas", contou Tshombe, assegurando que o aumento da violência pegou a população desprevenida.

"Encontramos uma solução e voltou a paz entre as duas comunidades. Mas, há uma semana e poucos dias, os lendus continuam multiplicando os ataques", explicou o ativista.

Tshombe disse duvidar que uma disputa étnica entre pastores hema e agricultores lendu - dois grupos que em 1999 protagonizaram o "conflito de Ituri", que deixou mais de 50 mil mortos - continue sendo a causa desses ataques.

"Vivemos estes ataques no território de Djugu, onde os lendus atacam os hemas. Mas isso não é assim, é uma guerra politizada. Trata-se de uma milícia próxima aos lendus, que se defende nas guerras entre estas duas comunidades", declarou o ativista.

Na segunda-feira, o porta-voz das Forças Armadas também compartilhou esta teoria em declarações à Efe em Kinshasa, após informar da descoberta de 161 corpos no domingo passado em uma floresta deste território e culpar um grupo armado em formação.

Estes territórios de Ituri são, além disso, parte da região afetada pelo atual surto de ebola, que já provocou 1.470 mortes em 2.190 casos nesta província e na vizinha Kivu do Norte desde 1º de agosto de 2018, quando se declarou a epidemia.