EFETeerã

O pai da iraniana Sahar Jodayari, que morreu após atear fogo em seu próprio corpo, desmentiu nesta quinta-feira a história de que sua filha tinha sido condenada por tentar disfarçada de homem em um estádio de futebol e a Justiça do Irã expressou seu agradecimento por negar que sua morte tenha sido motivada por uma sentença.

"Ela no nível psicológico teve um problema que levou a isso; não é simples, ela tinha um problema psicológico", e quando começaram os problemas com a Justiça, ela ficou "nervosa" e colocou fogo em seu corpo", comenta o pai em um áudio publicado pela imprensa local sobre o ocorrido com a jovem.

"Não houve conflito com um agente", disse em resposta a outra pergunta escrita sobre se o julgamento foi pela presença no estádio ou conflito com um agente.

"Não, ela não foi vítima", "Não, não, não foi condenada", "Nos entregaram o corpo e disseram: 'Levem e a enterrem onde queiram", são outras frases que diz o pai diz no áudio.

Hoje, a agência do Poder Judicial iraniana, "Mizan", informou que seu porta-voz Gholamhosein Esmaili, em uma conversa telefônica com o pai de Sahar, expressou suas condolências pela morte da jovem sua filha e agradeceu sua postura ao falar com os veículos de imprensa sobre o ocorrido.

Sahar Jodayari, de 29 anos, foi detida pela polícia quando tentou entrar disfarçada de homem, no mês de março, no Estádio Azadi, em Teerã, para ver o confronto entre o Esteghlal, seu time de coração e o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos.

Ela faleceu na última segunda-feira por causa das queimaduras em 90% de seu corpo, após ela ter ateado fogo em si depois de ser informada que poderia ser condenada a seis meses de prisão por ter tentado entrar no estádio, algo proibido para as mulheres no Irã.

A morte da torcedora gerou grande comoção e uma onda de críticas nas redes sociais, onde vários internautas pediram para que a Fifa pressione o governo iraniano, ameaçando com sanções como a eliminação do Irã de competições internacionais.