EFEJerusalém

Os palestinos relembram nesta quarta-feira a Nakba, que representa a criação do Estado de Israel em 1948, com diversas manifestações, o que levou o exército israelense a ficar em alerta diante de possíveis episódios de violência em coincidência com a realização do Festival Eurovision da Canção 2019.

As manifestações convocadas para relembrar a data acontecem enquanto em Tel Aviv, cidade localizada a apenas 70 quilômetros de distância da cerca fronteiriça, recebe milhares de turistas, artistas e bandas da Europa por conta do festival.

A Nakba, ou "Catástrofe", marca a fundação do Estado de Israel, o que para os palestinos significa o início do êxodo em massa que motivou o conflito vivido há décadas com os israelenses.

Para evitar possíveis riscos, a cúpula militar modificou as regras e aumentou a categoria dos responsáveis por ordenar o uso de fogo real aos comandantes de batalhão, informou a emissora pública "Kan".

Apesar do alerta, o exército não prevê um novo aumento da tensão, após o acordo de trégua mediado pelo Egito e alcançado na semana passada.

O acordo foi seguido de medidas israelenses como ampliação da área permitida para pesca, reabertura dos postos de fronteira e da entrada de fundos do Catar, ao mesmo tempo em que os protestos violentos e o envio de balões incendiários da Faixa de Gaza para Israel diminuíram.

O comitê palestino organizador das manifestações para a região fronteiriça reiterou que espera que os protestos de hoje sejam pacíficos.

As tropas israelenses também estão em alerta no território palestino ocupado da Cisjordânia por conta de possíveis protestos, informou o exército.

A Anistia Internacional aproveitou a data para denunciar que Israel não respeita o direito ao retorno dos palestinos que foram forçados a fugir de suas casas em 1948 e que isso representa "uma violação flagrante da lei internacional que alimentou décadas de sofrimento".

"Mais de 70 anos após o conflito surgido pela criação do Estado de Israel, os refugiados palestinos que foram expulsos de suas casas e de suas terras continuam a enfrentar consequências devastadoras", disse Philip Luther, diretor de Pesquisa e Direito da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.