EFEAssunção

O Paraguai expulsou no último ano 120 presos para que fossem julgados no Brasil, dos quais mais de 60 teriam vínculos com facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Os dados fazem parte de um relatório de segurança divulgado nesta segunda-feira pelo ministro de Interior, Juan Ernesto Villamayor.

O documento foi elaborado após os confrontos entre duas facções na prisão de San Pedro de Ycuamandiyú, em 16 de junho, que terminou com a morte de 10 detentos e vários feridos.

Seis presos morreram decapitados, três queimados e outro foi assassinado por arma branca em uma batalha entre membros do PCC e do Clã Rotela, que também se dedica ao narcotráfico.

Segundo dados do ministério, outros 12 detentos ligados ao crime organizado esperam pela extradição ao Brasil, entre eles Natanael Ferreira de Oliveira, supostamente integrante do CV, detido no domingo no Paraguai.

Villamayor informou que Oliveira será entregue ao Brasil, já que no Paraguai é acusado apenas de "produção de documentos falsos", considerado um crime de menor potencial ofensivo no país.

Em relação aos incidentes ocorridos no interior das prisões paraguaias, o ministro do Interior voltou a falar sobre a necessidade de reunir todos os detentos do crime organizado em uma única prisão de máxima segurança.

Para Villamayor, concentrar os presos destas organizações permitiria aplicar um "sistema de quarentena para evitar o efeito contágio na população" das outras prisões.

O ministro defendeu unificar as diferentes divisões da Justiça paraguaia em um único departamento dedicado ao crime organizado. Isso seria essencial, segundo ele, para evitar que os juízes mandem esses presos para penitenciárias de diferentes regiões do país.

Esta é uma das medidas que Villamayor propôs na reunião que manteve nesta segunda-feira com representantes da Suprema Corte de Justiça (CJS) e do Ministério de Justiça para buscar uma solução para a crise do sistema penitenciário.