EFELa Paz

O Parlamento boliviano recebeu nesta segunda-feira a carta de renúncia de Evo Morales à Presidência, na qual ele disse estar determinado a evitar a violência e expressa seu desejo de que a paz social retorne ao país, do qual foi chefe de governo por 13 anos e nove meses.

"Minha responsabilidade como presidente indígena e de todos os bolivianos é evitar que os golpistas continuem perseguindo meus irmãos e irmãs líderes sindicais", afirmou o agora ex-presidente no texto, cuja autenticidade foi confirmada à Agência Efe por fontes do Senado.

A correspondência foi enviada um dia depois que Morales confirmou a renúncia e um pronunciamento televisivo. No texto, o ex-chefe de governo condena o fato de que, segundo ele, os povos indígenas continuam sendo perseguidos e assediados no país, assim como líderes e autoridades de seu partido, o Movimento pelo Socialismo (MAS).

"Hoje é o momento da solidariedade entre nós mesmos. Amanhã será o momento da reorganização e a passagem para a frente desta luta que não termina com estes tristes acontecimentos", escreveu.

A nota, na qual Morales destaca várias das conquistas de sua gestão, menciona o slogan "resistir" e termina com o slogan "Pátria ou Morte!".

Além da carta do presidente, há também a do vice-presidente do país e presidente da Assembléia Legislativa Boliviana, Álvaro García Linera, que afirma ter sido obrigado a renunciar por um golpe de Estado e por "forças obscuras que destruíram a democracia".

Ainda se espera que a legislatura convoque uma sessão extraordinária para eleger um sucessor, que poderia ser a senadora da Unidade Democrática (UD), de oposição, Jeannine Áñez, que também é a segunda vice-presidente do Senado.

Añez é a principal opção na cadeia de sucessão constitucional após as renúncias de García Linera, da presidente do Senado, Adriana Salvatierra, do presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Borda, e do primeiro presidente do Senado, Rubén Medinaceli, todos integrantes do partido governante.