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O Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, realizará nesta quarta e quinta-feira a 11ª Cúpula, que neste ano terá como anfitrião o presidente Jair Bolsonaro.

Também estará no encontro o presidente russo, Vladimir Putin; o chinês, Xi Jinping; e o sul-africano, Cyril Ramaphosa; e também o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

A Agência Efe elenca os pontos-chave do encontro do Brics e da cúpula que será realizada em Brasília:.

1. O CLUBE DOS GRANDES EMERGENTES.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul formam o grupo das principais forças emergentes do planeta, representando cerca de 23% da economia mundial. Além disso, juntos, somam 42% da população global.

A coordenação entre as nações começou de maneira informal em 2006, com lideranças brasileiras, chinesas, russas e indianas. No mesmo ano, o economista Jim O'Neill citou pela primeira vez o termo Bric.

O bloco foi o "principal motor para do crescimento global da última década" e atualmente representa um terço do PIB do planeta, conforme foi lembrado na reunião informal do Brics, em junho, durante a Cúpula do G20, realizada em Osaka, no Japão.

No entanto, os números de crescimento robusto comemorados há anos pelas economias emergentes estão muito distantes. Atualmente, apenas Índia e China apresentam dados sólidos, já que as projeções de PIB na Rússia, Brasil e África do Sul são frágeis.

2. UM ANFITRIÃO CONTROVERSO.

A reunião deste ano tem um perfil diferente, porque o o Brasil rompeu uma tradição do país anfitrião, de convidar os chefes de Estado de países vizinhos, conforme explicou à Agência Efe o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel.

"O valor da cúpula caiu bastantes, e os chineses estão incomodados. Xi Jinping viajou por 20 horas e não conseguirá encontrar outros líderes, fora os dos Brics. Iria também participar da Apec, no Chile, que foi cancelada", explicou Stuenkel, autor do livro "The BRICS and the future of global order".

3. COOPERAÇÃO É A CHAVE.

A cooperação nas áreas da ciência, tecnologia e inovação, assim como na economia digital e promoção do comércio, serão o tema central da cúpula, segundo explicou o secretário de Política Externa Comercial e Econômica do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Norberto Moretti.

Também está previsto que os líderes dos cinco países discutam planos de cooperação no combate aos crimes transnacionais e ao terrorismo, assim como na área de saúde.

4. FISSURAS NA AGENDA POLÍTICA.

Quando o Brics começou o diálogo, há mais de uma década, a agenda política internacional estava, de certa forma, alinhada. Hoje, existem divergências em torno do cenário, especialmente, pela chegada ao poder no Brasil de Bolsonaro, que se mantém próximo aos Estados Unidos, tradicional antagonista do fórum.

Além disso, o país é o único membro do Brics que reconhece Juan Guaidó como presidente da Venezuela, enquanto os outros integrantes mantêm relações com Nicolás Maduro.

Outro ponto é a crise na Bolívia, com a renúncia de Evo Morales. O governo da Rússia já antecipou que Putin pretende abordar o assunto com Bolsonaro, que recusou classificar a queda do antigo líder boliviano como "golpe".

5. BANCO DE DESENVOLVIMENTO.

A cidade de Fortaleza foi testemunha, em 2014, do surgimento do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, pela sigla em inglês), entidade de fomento conjunta dos cinco países membros do Brics.

O organismo nasceu em meio a insatisfação do grupo com as negociações para aumentar a participação e poder do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Muitos acreditaram que o NDB poderia competir com as instituições internacionais, ainda que sua eficácia tenha sido questionada por alguns setores. EFE

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