EFEBuenos Aires

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, anunciou nesta segunda-feira que ordenou uma investigação judicial por administração fraudulenta e desvio de recursos para o empréstimo de US$ 44 bilhões que o governo anterior tomou com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Dei instruções às autoridades competentes para iniciarem formalmente uma ação criminal com o objetivo de determinar quem foram os atores e participantes da administração fraudulenta e o maior desvio de fundos que nossa memória lembra", disse Fernández, durante abertura das sessões ordinárias do Congresso.

Para Fernández, a dívida de US$ 55 bilhões contraída pelo governo Mauricio Macri - da qual apenas US$ 44 bilhões foram finalmente recebidos - é uma dívida contraída "por um governo irresponsável", que obteve um empréstimo concedido a seu favor levado "a favorecer o presidente Macri na busca por sua reeleição".

Portanto, "merece uma revisão e tratamento adequado no momento de sua renegociação", disse Fernández, que assumiu o cargo em dezembro de 2019.

De acordo com o presidente argentino, o maior empréstimo da história do FMI "só possibilitou a mais surpreendente fuga de divisas" da história argentina e foi resolvido "sem intervenções judiciais e técnicas prévias" e "nas costas do Congresso".

"Ainda temos que resolver o problema da dívida com o FMI", reconheceu Fernández.

Mas ele avisou: "Não queremos apressar as coisas".

Fernández explicou que as negociações com o FMI vão continuar, mas alertou que "não há mais espaço para ajustes recessivos".

"O acordo que finalmente chegaremos ao FMI será também resultado da análise de todos os tópicos", mencionou, após apontar "tanta má-fé dos tomadores de crédito" e "tanto desprezo por um organismo multilateral" para privilegiar o governo de Macri.

Fernández recordou que durante o ano passado reestruturou a dívida soberana em mãos privadas que alcançou uma economia de US$ 34,8 bilhões entre 2020 e 2030.

Inicialmente, o governo pretendia refinanciar a dívida com o FMI até o próximo mês de maio, quando deverá enfrentar um pagamento de 2,46 bilhões com o Clube de Paris.

Fernández lembrou que em 2020, "juntamente com o acúmulo de medidas sanitárias", o país conseguiu "promover medidas econômicas para amenizar os efeitos da calamidade" da pandemia.

Depois de enumerar os subsídios sociais e apoios ao emprego que concedeu, reconheceu que no segundo trimestre de 2020, quando se registrou a menor circulação de pessoas e o impacto mais grave na atividade econômica, o nível de pobreza aumentou 5,4 pontos percentuais, para 40,9%.

A economia da Argentina caiu 10% no ano passado, aprofundando a recessão que o país vem sofrendo há três anos. Para este ano, o FMI projeta uma retomada da economia argentina com expansão de 4,5%.

A inflação foi de 36,1% em 2020, a menor dos últimos três anos. Mas enquanto o governo espera que a inflação caia para 29%, as últimas projeções privadas coletadas mensalmente pelo Banco Central estimam que a inflação será de 50% neste ano.