EFEBuenos Aires

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, suspendeu suas viagens ao exterior, incluindo a visita ao México para a cúpula de sábado entre chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), "para terminar de definir as medidas econômicas que serão anunciadas nos próximos dias".

Além de cancelar a sua participação na reunião com os líderes latino-americanos da Celac - grupo que a Argentina espera presidir em 2022, se receber o apoio necessário -, o presidente não participará pessoalmente da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas, mas com um vídeo gravado.

Estas decisões surgem no contexto da crise desta semana no governo argentino, após a derrota da coalizão governamental nas eleições primárias do domingo passado - antes das eleições legislativas de 14 de novembro - e da decisão de vários ministros da ala do peronismo kirchnerista, liderados pela ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Kirchner, de renunciarem.

O conflito se agravou na quinta-feira, quando a vice-presidente - que tem de substituir o presidente durante viagens ao exterior - publicou uma longa carta nas redes sociais na qual criticou abertamente, entre outras coisas, a política econômica do governo - que "iria sem dúvida ter consequências eleitorais", segundo ela - e lembrou a Fernández que foi ela quem o escolheu como candidato a presidente.

Horas antes, o presidente usou o Twitter para fazer a sua primeira declaração pública sobre o conflito: "Escutei o meu povo. A arrogância não se aninha em mim. O governo continuará a se desenvolver da forma que eu achar conveniente. Foi para isso que fui eleito. Sempre buscarei a união dos argentinos", escreveu.