EFEBarcelona

O presidente do governo da Catalunha, Quim Torra, que é defensor da soberania da região autônoma, afirmou nesta segunda-feira que a condenação de nove líderes separatistas é "antidemocrática", um ato de "vingança, não de justiça", e reforçou a ideia de um "Estado independente".

Em declaração institucional, Torra informou que ainda hoje pedirá por carta ao rei Felipe VI e ao presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, uma reunião urgente para "abordar a crise que se abre com a sentença".

Mais cedo, o Tribunal Supremo espanhol aplicou penas de nove a 13 anos de prisão a nove líderes independentistas considerados culpados de insurreição e desvio pelo referendo de "autodeterminação" realizado no dia 1º de outubro de 2017 na Catalunha, que foi seguido no dia 27 do mesmo mês por uma declaração parlamentar unilateral a favor da independência.

Segundo Torra, a Catalunha "vive um momento grave" porque trata-se de uma sentença contra pessoas "honráveis e pacíficas".

"Condená-las é um insulto à democracia e um menosprezo à sociedade catalã. É um julgamento político e de uma causa geral contra o direito à autodeterminação da Catalunha e o independentismo", ressaltou o governante catalão.

Após saber a sentença, o ex-vice-presidente do governo catalão Oriol Junqueras, condenado a 13 anos, também acusou o Estado espanhol de "ser movido pela vingança".

"A independência (da Catalunha) é hoje, mais do que nunca, uma necessidade para podermos viver em uma sociedade mais livre, mais justa e mais democrática", declarou em comunicado.

Já a ex-presidente do Parlamento regional Carme Forcadell, condenada a 11 anos e meio de prisão, usou o Twitter para lamentar que "a injustiça se consumou" e que a democracia vive "um dia obscuro".

O ex-presidente catalão Carles Puigdemont, que segue foragido da Justiça espanhola, também utilizou as redes sociais para denunciar a "barbaridade" das penas, que somam "cem anos de prisão no total", e reivindicou a liberdade dos condenados.