EFENações Unidas

O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, afirmou nesta terça-feira, na Assembleia Geral da ONU, que a hegemonia global dos Estados Unidos fracassou, o que, segundo ele, ficou provado na retirada das tropas americanas do Afeganistão e na invasão ao Capitólio ocorrida em janeiro.

"O sistema hegemônico dos EUA não tem credibilidade, nem dentro nem fora do país", comentou Raisi em discurso em vídeo no qual classificou a retirada de tropas americanas do solo afegão como "derrota e fuga".

O mandatário iraniano também criticou as sanções americanas contra o Irã, ressaltando que, em um momento de pandemia, essas medidas representam um crime contra a humanidade.

De acordo com Raisi, os EUA demonstraram mais uma vez que tanto a ideia de hegemonia como a de impor "identidades ocidentais" a outros países "falharam miseravelmente".

"Hoje, os Estados Unidos não podem sair do Iraque e do Afeganistão, eles são expulsos", argumentou Raisi, insistindo que o mundo não se importa nem com "os EUA em primeiro lugar" nem com "os EUA de volta", em referência aos slogans dos governos de Donald Trump e Joe Biden, respectivamente.

Sobre o acordo nuclear de 2015, que foi quebrado após a saída dos EUA, Raisi criticou o país americano por continuar a seguir uma estratégia de "pressão máxima" em vez de retirar as sanções.

"Os EUA pensaram erroneamente que isso iria nos desesperar e devastar", analisou.

Segundo ele, depois do que aconteceu, o Irã não confia mais "nas promessas feitas pelo governo dos EUA", mas está aberto a conversas que resultem na "suspensão de todas as sanções".

Ainda nesta terça-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que as negociações para salvar o acordo nuclear serão retomadas em Viena "dentro das próximas semanas".

Estas conversas, nas quais os Estados Unidos estão indiretamente envolvidos porque abandonaram o pacto em 2018, ocorreram entre abril e junho, mas foram interrompidas devido à mudança de governo no Irã.

Embora Raisi não tenha viajado a Nova York para participar das reuniões da Assembleia Geral da ONU, o seu ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir-Abdollahian, viajou e se encontrará com o chefe da política externa da União Europeia (UE), que está coordenando as negociações, Josep Borrell, e com representantes de outros países do acordo.

O objectivo das negociações é que os iranianos e os americanos voltem simultaneamente ao pacto, que tem mantido o Irã sem produzir armas nucleares. No discurso desta terça-feira, Raisi insistiu que o país considera a produção de armas nucleares proibida por decretos religiosos e que esse tipo de armamento não tem lugar em sua política de defesa.