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O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, voltou a defender nesta segunda-feira a criação da Superliga europeia, que até agora inclui o clube da capital espanhola e outros 11, e negou que a competição vai ser fechada ou fará com que os campeonatos nacionais acabem.

"Os clubes importantes de Inglaterra, Espanha e Itália têm que dar uma solução a uma situação muito ruim no futebol. Foram perdidos 5 bilhões de euros. No ano passado, tínhamos um orçamento de 800 milhões e, em vez disso, terminamos com 700 milhões. Neste ano, em vez de arrecadar 900 milhões, vamos ver se arrecadamos 600 milhões. Em duas temporadas, o Real Madrid recebeu 400 milhões de euros a menos", declarou o dirigente à emissora espanhola "Mega".

Na visão de Florentino, o futebol precisa evoluir. Em sua visão, assim como as empresas e as pessoas, o esporte precisa evoluir e se adaptar aos tempos atuais.

"Quando você não tem outra renda além da TV, a única maneira é fazer partidas mais competitivas, que todos os torcedores do mundo podem ver. Se ao invés de fazer a Liga dos Campeões fizéssemos uma Superliga, seríamos capazes de aliviar a renda que perdemos", argumentou.

Florentino revelou que não convidou Paris Saint-Germain, Bayern de Munique nem Borussia Dortmund até agora, mas garantiu que os três estão sendo levados em conta. Ele reiterou que a iniciativa é um bem para o esporte.

"Estamos todos arruinados. Estamos fazendo isso para salvar o futebol, que vive um momento crítico. Um jogo entre Real Madrid e Manchester ou um entre Barcelona e Milan são mais atrativos que um entre o Manchester um time modesto da Liga dos Campeões", analisou.

O presidente do Real afirmou, sem apresentar detalhes, que o futebol vem perdendo público entre os mais jovens. Segundo ele, a Superliga faria com que essas pessoas voltassem a acompanhar o esporte.

"O futebol neste momento perdeu atratividade entre os jovens e queremos elaborar uma competição que eles possam ver. A Liga dos Campeões é atrativa a partir das quartas de final. Jogamos com equipes modestas, que não têm atrativo, e jogar entre os grandes durante toda a temporada é imbatível. E quando tivermos dinheiro o repartiremos, porque o futebol funciona com solidariedade", prometeu Florentino, que também garantiu que os campeonato nacionais continuarão de pé.

"Alguém disse que acabaríamos com as ligas, mas as ligas são o pilar de todas as competições. A televisão é o meio que tem que mudar para se adaptar aos novos tempos. O que dá dinheiro são as grandes competições e isto é uma pirâmide. Se os de cima não perdermos dinheiro, podemos comprar jogadores e ser solidários. Há jovens que não estão interessados no futebol porque há partidas de má qualidade", disse.

A Uefa se manifestou veemente contra a criação da Superliga, enquanto a Fifa afirmou ser necessário conversar com todas as partes envolvidas. Florentino reiterou o desejo de negociar com aas duas entidades.

"Vamos conversar com a Uefa e a Fifa. A Uefa é um monopólio e deve ser transparente", denunciou Florentino, que garantiu que, apesar das ameaças da confederação europeia, os jogadores que disputarem a Superliga poderão defender suas seleções.

"É a confusão daqueles que geram um monopólio. A Uefa não tem uma boa imagem ao longo de sua história. Deve ser transparente, em diálogo e não ameaçador. Estas são ameaças de alguém que confunde um monopólio com propriedade. Nós oferecemos um formato que salva o futebol, porque ele não pode continuar como está", encerrou o dirigente.