EFEJacarta

O ex-presidente da Indonésia Yusuf Habibie, que iniciou a transição democrática no país, após a ditadura de Suharto, morreu nesta quarta-feira, aos 83 anos, no Hospital Militar Gatot Soebroto, em Jacarta, que confirmou o falecimento.

O antigo chefe de estado estava internado na unidade de tratamento intensivo (UTI) desde 1º de setembro.

Habibie foi o terceiro presidente desde a independência da Indonésia, ocorrida em 1945, ao suceder Suharto, que reununciou em 1998, devido aos protestos contra o autoritarismo do líder, após 31 anos no poder.

Em um ano e cinco meses, Habibie impulsionou reformas sociais, políticas e econômicas, que colocaram o páis no caminho da recuperação, após a crise econômica na Ásia. Ele ainda preparou eleições legislativas e presidenciais em 1999, assim como o referendo que permitiu a independência do Timor Leste.

Habibie havia sido nomeado vice-presidente por Suharto dois meses antes da queda do ditador, e afastou do ministério as pessoas próximas ao antecessor, inclusive, a filha mais velha dele, governou respeitando a liberade de imprensa e anistiou mais de uma centena de presos políticos.

O então chefe de estado herdou um país em convulsão social, devido a um massacre de estudantes feito por militares, além de protestos e da violência contra a minoria étnica chinesa.

Engenheiro aeronáutico de formação, Habibie morou na Alemanha no fim da adolescência, onde fez doutorado e trabalhou em uma empresa do consórcio Airbus. A carreira política começou em 1974, como assessor de Suharto, já que era amigo da família do ditador. Chegou a ser ministro da Tecnologia e Investigação.

Em 1990, quando Suharto começou a relaxar a repressão contra religiões, Habibie fundou a Associação Indonésia de Muçulmanos Intelectuais, que apoiava o governante inicialmente, mas tinha foco em estimular a ciência e a tecnologia no país.