EFEBeirute

O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, renunciou ao cargo e dissolveu todo o gabinete de governo nesta segunda-feira, seis dias após a explosão no porto de Beirute que matou ao menos 160 pessoas e deixou mais de 6 mil feridos.

"Anuncio hoje a renúncia deste governo", informou Diab em pronunciamento, no qual mencionou o combate à corrupção e a necessidade de o país ter um governo de salvação nacional.

"Os sistemas de corrupção são maiores que o Estado", disse o chefe de governo, que havia formado gabinete em dezembro do ano passado, após uma onda de protestos populares no país.

Em 2019, uma revolta social explodiu no Líbano, inicialmente por causa de aumento de impostos, mas cresceu como oposição ao regime sectário do país, a falta de desenvolvimento econômico, a corrupção e levou à renúncia do então premiê Saad Hariri.

"Alguns não leram bem a revolução dos libaneses de 17 de outubro (data que os protestos começaram). Era contra eles, mas não entenderam", disse hoje Diab.

O atual primeiro-ministro responsabilizou a classe política pela crise que o Líbano atravessa, pelo uso de métodos que classificou como sujos. O chefe de governo, no entanto, não se referiu especificamente a nenhum nome ou partido.

Diab garantiu que o governo que liderou, definido como tecnocrata, fez tudo o que era possível para salvar o país, mas que encontrou muitas dificuldades para executar uma mudança.

"Eles deveriam ter vergonha de si próprios, porque a corrupção deles dura sete anos", disse o primeiro-ministro demissionário.

Na última terça-feira, a explosão de quase 3 toneladas de nitrato de amônia, que estavam armazenadas no porto de Beirute desde 2014, sem medidas de segurança adequadas, foi a mola propulsora de protestos que vêm acontecendo desde sábado na capital.

Em menos de uma semana, três ministros chegaram a entregar os cargos, antes da renúncia do premiê.