EFECopenhague

O Ministério Público da Suécia decidiu nesta segunda-feira reabrir o caso por suposto crime de estupro contra o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, que tinha sido arquivado há dois anos pela impossibilidade de fazer com que a investigação avançasse.

A promotora superior adjunta Eva-Marie Persson, que ativará a ordem de detenção europeia, explicou que a reabertura do caso foi decidida por conta da mudança nas circunstâncias pessoais de Assange depois que o Equador retirou seu asilo e da solidez das suspeitas contra o jornalista australiano.

Assange está detido em uma prisão de segurança máxima no Reino Unido, à espera de uma resolução de um pedido de extradição para os Estados Unidos, onde é solicitado pelo vazamentos de documentos secretos por seu site, que poderiam render uma pena de pelo menos cinco anos de prisão.

"Dado que deixou a embaixada, as circunstâncias mudaram e estimo que existem as condições para seguir com o caso", disse Persson em entrevista coletiva.

Persson lembrou que a investigação não foi suspensa por falta de provas, mas pela impossibilidade de progresso, e ressaltou que os tribunais suecos concluíram em várias ocasiões que as suspeitas contra ele têm o maior grau de verossimilhança.

A promotora informou que irá apresentar uma solicitação de detenção à revelia contra o jornalista no tribunal de Uppsala (norte de Estocolmo) e que emitirá uma ordem de detenção europeia.

"Não é possível prever o resultado do processo, mas considero que uma investigação preliminar pode ser realizada de forma paralela ao caso no Reino Unido", afirmou Persson, que é favorável à realização de um novo interrogatório, embora tenha deixdo aberto a possibilidade de fazê-la por videoconferência.

Persson lembrou que compete às autoridades britânicas determinar qual pedido tem prioridade, a ordem de detenção europeia ou a solicitação de extradição aos Estados Unidos.

A reabertura do caso aconteceu por pedido da advogada da denunciante quando Assange foi detido por agentes britânicos no mês passado na embaixada equatoriana.

Quito retirou o asilo de Assange ao dizer que ele tinha violado reiteradamente "convenções internacionais e o protocolo de convivência" na missão diplomática.

Três crimes pelos quais Assange era investigado na Suécia já prescreveram e o de estupro prescreverá em agosto de 2020.

Um tribunal britânico condenou há duas semanas o fundador do WikiLeaks a 50 semanas de prisão por violar as condições de liberdade condicional nesse país em 2012, quando o Supremo determinou sua extradição à Suécia e o jornalista se refugiou na embaixada do Equador.

O processo na Suécia contra Assange, que se declara inocente e não foi formalmente acusado de nada, esteve rodeado de polêmica sobre a solidez das denúncias e os motivos das litigantes, vazamentos aos veículos de imprensa, substituições de promotores e a reabertura de um caso que tinha sido reduzido inicialmente a um crime menor.