EFEBuenos Aires

Os sindicatos dos transportadores da Argentina realizam nesta quarta-feira manifestações e bloqueios de estradas em diferentes partes do país para protestar contra a falta de diesel, as sobretaxas e o aumento dos custos que estão enfrentando.

Os atos respondem, segundo seus organizadores, à falta de resposta dos Ministérios do Trabalho, Transportes e da Secretaria de Energia, mesmo com o governo de Alberto Fernández anunciando a intenção de aumentar as importações de diesel, combustível amplamente utilizado para máquinas agrícolas, caminhões e ônibus de passageiros, entre outros.

Os protestos já duram dois dias na província de Tucumán, convocados pela Associação de Transportadores de Carga de Tucumán, denunciando que naquela região do noroeste da Argentina não recebem combustível e pagam por ele um preço mais alto do que em outros distritos, o que levou a paralisação da colheita de açúcar, conforme anunciado pela indústria açucareira.

A mobilização de hoje provocou o caos no trânsito, pois caminhões bloquearam a rodovia que liga a cidade de Buenos Aires à de La Plata, capital da província de Buenos Aires.

Segundo dados divulgados hoje pela Federação Argentina de Entidades Empresariais de Transporte de Cargas (Fadeeac), 21 dos 24 distritos em que o país está dividido estão sofrendo com problemas de abastecimento de diesel.

A federação denunciou que o diesel disponível para os transportadores podem aceder "é escasso e o preço, em muitos casos, é discricionário", uma vez que a escassez obriga à aplicação de quotas de despacho nos postos e ao desenvolvimento de um mercado informal de preços do diesel acima da referência.

A escassez ocorreu paralelamente a um aumento acentuado do preço do diesel, em um cenário de aumento generalizado a nível internacional dos preços da energia desde a invasão russa da Ucrânia, e uma lacuna no preço permitido na bomba local.

A situação confronta os transportadores com o setor agrícola, uma vez que é difícil transportar colheitas e gado, enquanto crescem os avisos sobre a eventual falta de alimentos para os consumidores e de bens para a indústria.

O governo argentino elevou na semana passada o percentual de biocombustível que o diesel deve ter em sua produção devido à escassez de óleo diesel no país, mas Fadeeac indicou que é "uma medida paliativa, mas não resolve a questão do fundo". EFE