EFEGenebra

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira que o líder opositor russo, Alexei Navalny, violou deliberadamente as leis russas, mesmo sabendo que a punição seria a prisão.

"Os órgãos do poder o convocaram (...), mas ele não compareceu, ignorou a lei e foi declarado em fuga", disse Putin após sua primeira cúpula com o presidente americano, Joe Biden, em Genebra.

Apesar disso, segundo Putin, Navalny voltou para a Rússia da Alemanha, onde se recuperava de um envenenamento com um agente tóxico do grupo Novichok que sofreu em agosto de 2020.

"Parto da premissa de que ele queria ser preso, ele estava ciente disso", acrescentou.

O chefe do Kremlin comentou ainda que a questão dos direitos humanos e a situação de Navalny foram abordadas na cúpula por iniciativa dos Estados Unidos.

"O presidente Biden trouxe à tona a questão dos direitos humanos e das pessoas que acreditam representar essas questões na Rússia", disse Putin.

O presidente russo também falou sobre a recente proibição do Fundo Anticorrupção Navalny na Rússia, garantindo que essa organização "fez chamadas públicas para a desordem, incitou publicamente menores a participarem de manifestações de rua e deu instruções sobre como fazer coquetéis molotov para usá-los contra agentes da lei".

Por outro lado, Putin acusou os EUA de apoiarem as atividades de "agentes estrangeiros" na Rússia.

"A legislação dos EUA estipula que Washington deve apoiar certas organizações políticas na Rússia. Mas, simultaneamente, a Rússia foi declarada como o inimigo... Então, que tipo de organização Washington apoia?", questionou Putin.

Desse modo, segundo antecipou, Moscou tratará "agentes estrangeiros" com "cautela", mas sem proibir seu trabalho em território russo.

"A declaração como agente estrangeiro não significa a cessação das atividades", garantiu.