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A Rússia afirmou nesta quarta-feira que já apresentou aos Estados Unidos suas iniciativas em matéria de controle de armas ao comentar as palavras do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de negociar um novo acordo nuclear que substituiria o tratado de desarmamento assinado com a União Soviética durante a Guerra Fria.

"No que se refere às futuras negociações sobre esse tema e outros, relacionados com a estabilidade estratégica e o controle de armas, o presidente (da Rússia, Vladimir) Putin expressou nossa posição de forma muito clara", disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, em entrevista coletiva em Ashgabat, a capital do Turcomenistão.

Lavrov explicou que a Rússia apresentou muitas propostas sobre essa questão aos EUA e a outros países da Otan.

Essa foi a resposta do ministro russo às palavras de Trump, que afirmou ontem que Washington mantém as portas abertas para negociar um novo acordo nuclear após a saída do tratado sobre eliminação de mísseis de médio e curto alcances.

"Dado que não recebemos nenhuma resposta de nossos colegas ocidentais, o presidente Putin solicitou que não voltássemos a falar sobre esse tema e que aguardemos tranquilamente que nossos sócios ocidentais amadureçam para reagir às propostas que já lhes enviamos", disse Lavrov.

Durante a entrevista coletiva na capital turcomena, aonde o diplomata russo chegou como parte de um giro por países asiáticos que antes o levou a Tadjiquistão e Quirguistão, Lavrov reiterou que Moscou sairá do INF em resposta a uma decisão similar dos EUA e "o acordo deixará de existir em seis meses".

Os EUA anunciaram na sexta-feira que estavam suspendendo o cumprimento das obrigações relacionadas com o INF diante da negativa de Moscou de destruir o míssil de cruzeiro russo Novator 9M729 (SSC-8, segundo a classificação da Otan) que violaria o tratado, segundo Washington.

Em teoria, os dois países ainda têm seis meses para reconsiderar e voltar ao tratado, mas os analistas acreditam que isto não vai acontecer, o que também poderia condenar ao fracasso as negociações para a renovação do tratado Start-3.

Segundo os especialistas, o alvo real da decisão dos EUA não é a Rússia, mas a China, que desenvolveu um considerável arsenal de mísseis de curto e médio alcances, já que o país asiático não é signatário do INF.

O senador russo Vladimir Dzhabarov comentou hoje que a Rússia provavelmente não participará de negociações sobre um novo tratado nuclear enquanto os EUA não chegarem a um acordo com a China.

"Que cheguem primeiro a um acordo com a China e, depois, podem nos convidar para negociar", disse o legislador russo em declarações veiculadas pela agência "RIA Novosti".

Ao mesmo tempo, o senador acrescentou que "não é suficiente" falar apenas com a China e seria preciso incluir no tratado "Índia, Paquistão, Turquia e Israel, que também têm esse tipo de armas".