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O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse nesta segunda-feira que o seu país quer participar integralmente do mecanismo de pagamento europeu elaborado para que as empresas da União Europeia (UE) possam evitar os danos causados pelas sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã depois que os americanos se retirarem do pacto nuclear.

"Vamos buscar a plena participação na operação deste mecanismo e continuar com os esforços relevantes em contato direto com os países afetados e com os responsáveis pelo próprio mecanismo", indicou.

Em 31 de janeiro, França, Alemanha e Reino Unido apresentaram em Bucareste (Romênia) o mecanismo financeiro, batizado de Instex (Instrumento de Apoio para Trocas Comerciais), que terá a sua sede na França e será dirigido por um economista alemão. Ele permitirá que empresas europeias realizem comércio lícito com o Irã, especialmente no âmbito da saúde e da alimentação, setores de primeira necessidade para os iranianos.

O Irã considera que o mecanismo deve aceitar países não europeus e incluir todos os bens envolvidos nas sanções, especialmente as exportações de petróleo, como prometeu o bloco quando anunciou o instrumento de pagamentos em setembro.

Hoje, Ryabkov apoiou a posição do Irã e disse que é necessário não limitar as transações a alimentos, necessidades básicas e remédios, produtos "já excluídos das sanções americanas".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se retirou no ano passado do pacto nuclear, assinado em 2015, com o Irã e do qual também participam China, França, Alemanha, Rússia e Reino Unido. O governo americano, então, voltou a impor sanções ao regime iraniano, obrigando os demais integrantes a buscarem fórmulas para contornar as restrições e salvar o acordo. O pacto limita o programa atômico iraniano em troca da suspensão das sanções internacionais.

O Irã ameaçou em repetidas ocasiões sair do acordo, se as potências europeias não criassem algum sistema que permitisse que o país acessasse os benefícios do comércio internacional, especialmente de petróleo e gás, dos quais é um dos maiores produtores mundiais.